Publicidade

Estado de Minas

Navalny acusa Putin por envenenamento e promete voltar


01/10/2020 13:25

O opositor russo Alexei Navalny acusou o presidente Vladimir Putin de estar "por trás" de seu envenenamento e garantiu que voltará à Rússia quando estiver totalmente recuperado, na primeira entrevista concedida desde que recebeu alta de um hospital da Alemanha.

O Kremlin reagiu e disse que as acusações de Navalny são "sem fundamento e inaceitáveis".

"Afirmo que Putin está por trás do ato. Não vejo outra explicação", declarou à revista alemã "Der Spiegel", que publicou trechos da entrevista em seu site, nesta quinta-feira.

A acusação foi divulgada no mesmo dia em que a União Europeia (UE) se reúne em Bruxelas, com a possibilidade de debater a resposta do bloco a Moscou por esta questão.

A Alemanha preside a UE no semestre e ameaçou a Rússia com sanções. A chanceler Angela Merkel visitou Navalny durante a internação.

"Meu dever agora é continuar sendo como sou, alguém que não tem medo. E não tenho medo", afirmou o principal opositor do Kremlin.

Navalny também confirmou a intenção de retornar à Rússia quando estiver totalmente recuperado.

"Não vou dar a Putin o presente de não voltar à Rússia", disse, antes de explicar que deseja uma recuperação "o mais rápido possível" para retornar.

"Não voltar significaria que Putin alcançou seu objetivo", completou.

O Kremlin reagiu imediatamente.

Seu porta-voz rebateu as acusações de Navalny e afirmou que os serviços de Inteligência ocidentais "trabalham" com o opositor russo.

"Consideramos estas acusações contra o presidente russo sem fundamento e inaceitáveis", declarou Dmitri Peskov, antes de afirmar que "instrutores da CIA trabalham com ele".

Segundo o porta-voz, "qualquer cidadão russo pode voltar ao país quando quiser e não há nada de heroico nisso".

- "Sabia que estava morrendo" -

Ativista da luta contra a corrupção, Navalny, de 44 anos, passou mal a bordo de um avião na Sibéria em 20 de agosto.

Três laboratórios europeus afirmaram que ele foi vítima de um envenenamento com uma substância neurotóxica do tipo Novichok, criada na época soviética com fins militares.

De acordo com a equipe de Navalny, vestígios de Novichok foram encontrados em uma garrafa de água retirada de seu quarto de hotel na Sibéria, onde ele participou da campanha de apoio a alguns candidatos nas eleições locais.

Na entrevista para a "Der Spiegel", Navalny recordou o momento em que passou mal no avião, que seguia da Sibéria para Moscou.

O líder opositor afirmou que disse à tripulação que havia sido envenenado. "Ouvi vozes cada vez mais distantes e uma mulher que dizia: 'Não desmaie'. E isso foi tudo. Sabia que estava morrendo. Depois percebi que estava errado", relatou.

Em uma mensagem publicada recentemente no Instagram, Navalny agradeceu aos pilotos do avião que fizeram um pouso de emergência em Omsk, na Sibéria, porque salvaram sua vida.

"O plano dos assassinos era simples: que eu passasse mal 20 minutos depois da decolagem, perdesse a consciência 15 minutos depois e (...) uma hora mais tarde eu terminaria em um saco plástico preto", disse.

Vários países ocidentais exigiram da Rússia uma investigação do caso. Moscou nega todas as acusações e qualquer vínculo com o suposto envenenamento.

- "Um canalha" -

O presidente da Duma, a câmara baixa do Parlamento russo, acusou Navalny de trabalhar para os serviços secretos ocidentais e afirmou que o presidente Vladimir Putin "salvou" a vida do opositor.

"Navalny não tem vergonha, ele é um canalha. Putin salvou sua vida (..) Está claro que Navalny trabalha para os serviços especiais e as autoridades dos países ocidentais", disse Viatsheslav Volodin.

Navalny recebeu alta do Hospital Charité de Berlim na semana passada, depois de permanecer internado por um mês. Prossegue com a recuperação na Alemanha.

Em sua conta no Instagram, o opositor relatou que precisa de um longo período de fisioterapia para "conseguir ficar em apenas uma perna e recuperar totalmente o controle dos dedos".

Recentemente, o Kremlin anunciou que ele estava livre para retornar ao país. Ao mesmo tempo, autoridades russas congelaram contas e confiscaram a parte do apartamento que o opositor possui em Moscou, enquanto ele estava em coma na Alemanha.

De acordo com a porta-voz do opositor, as decisões judiciais estão vinculadas a uma disputa entre Yevgueni Prigojin, um empresário considerado próximo ao Kremlin, Navalny e uma de suas aliadas, Liubov Sobol.


receba nossa newsletter

Comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Cadastro realizado com sucesso!

*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade