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Estado de Minas

Armênia e Azerbaijão mantêm combates apesar de chamados internacionais


30/09/2020 21:55

Armênia e Azerbaijão rejeitaram, nesta quarta-feira, apelos internacionais por um cessar-fogo e o início de negociações, no quarto dia de combates intensos em Nagorno Karabakh - enclave separatista armênio em território azeri.

Por volta da meia-noite de hoje em Stepanakert, capital da república autoproclamada, foram ouvidas duas explosões de origem desconhecida, em meio ao barulho de sirenes. Durante o dia, os ruídos dos combates na frente não chegavam à cidade, que, segundo autoridades locais, foi bombardeada no último domingo.

Rússia e França pediram esta noite a interrupção total dos combates. "Vladimir Putin e Emmanuel Macron solicitaram às partes em conflito que interrompam completamente o mesmo e, o quanto antes, reduzam a tensão e mostrem a máxima moderação", anunciou o Kremlin após uma conversa telefônica entre os presidentes russo e francês.

Antes, o ministro das Relações Exteriores russo, Serguei Lavrov, havia proposto aos colegas de Armênia e Azerbaijão que concordassem em negociar para pôr fim ao conflito entre as duas repúblicas em torno da região de Nagorno Karabakh, e reiterado o chamado por um cessar-fogo.

A diplomacia russa denunciou, nesta quarta-feira, que combatentes da Síria e Líbia foram enviados para a área do conflito em Nagorno Karabakh.

"Combatentes dos grupos armados ilegais, especialmente da Síria e Líbia, estão sendo enviados para a área de conflito em Nagorno Karabakh para participar dos combates", afirmou a diplomacia russa, acrescentando estar "profundamente preocupada com os acontecimentos, que podem gerar uma escalada da tensão no conflito" e em toda a região.

- 'Retirada total' -

Após visitar militares feridos em um hospital, o presidente do Azerbaijão, Ilham Aliev, afirmou que dará continuidade à luta até uma "retirada total, incondicional e sem prazo" das forças armênias, segundo imagens exibidas pela TV.

Antes, a diplomacia do país havia informado aos mediadores do conflito, os países do Grupo de Minsk (Rússia, França e Estados Unidos), formado dentro da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), que Baku estava determinada a manter sua "operação militar legítima".

O primeiro-ministro armênio, Nikol Pachinian, fechou as portas para negociações imediatas, poucas horas depois da votação unânime do Conselho de Segurança da ONU por uma declaração que pede o "fim imediato dos hostilidades e a retomada de negociações construtivas".

Putin e Macron, por sua vez, declararam-se dispostos a aprovar um comunicado, em nome dos presidentes do Grupo de Minsk, que exigiria o "fim imediato" das hostilidades e a abertura de uma mesa de diálogo.

- Balanços parciais -

De acordo com os balanços oficiais, provavelmente parciais, os confrontos que explodiram no último domingo já deixaram 127 mortos, entre eles 104 combatentes separatistas e 23 civis de ambos os lados. O Azerbaijão não anunciou nenhuma baixa militar e os dois lados se acusam de ter iniciado as hostilidades.

Um repórter da AFP presenciou na região azerbeijana de Beylagan, a poucos quilômetros da frente de batalha, o enterro de um soldado morto no combate, segundo os habitantes. Em meio aos gritos das pessoas, seu caixão - envolto na bandeira do Azerbaijão - foi levado ao cemitério.

O número de mortos pode ser muito maior. O ministério azeri da Defesa afirmou que os combates prosseguem e citou a morte de 2.300 separatistas armênios desde o fim de semana.

O porta-voz do Ministério armênio da Defesa, Artsroun Hovhannisian, relatou que 790 soldados azeris morreram e 1.900 ficaram feridos.

As partes envolvidas também anunciaram a destruição de tanques, drones e outros materiais, mas os dados não foram verificados por uma fonte independente.

- 'Uma longa guerra' -

A retórica de guerra alimenta o fervor patriótico nos dois países. Ambos os territórios decretaram lei marcial, e muitos voluntários se apresentaram para os combates.

O Azerbaijão afirma que reconquistou territórios e impede as linhas de abastecimento armênias. Nagorno Karabakh alega que retomou posições.

A Armênia afirmou na terça-feira que um caça turco de apoio ao Azerbaijão derrubou um de seus aviões militares. Ancara e Baku desmentiram a acusação.

Yerevan voltou a acusar, nesta quarta, a "aviação russa de realizar voos de provocação" na fronteira comum.

Uma intervenção militar direta da Turquia representaria uma guinada importante e a internacionalização do conflito. O governo turco foi o único que não pediu um cessar-fogo. Pelo contrário, estimulou o aliado Azerbaijão a retomar o controle de Karabakh à força e a humilhar a Armênia, seu inimigo histórico.

"O verdadeiro inimigo é a Turquia", denunciou esta noite o dirigente de Nagorno Karabaj, Araik Arutiunian, considerando que seria necessário se preparar para uma "longa guerra".

A Russia declarou hoje que "não apoia os pedidos" da Turquia, com quem mantém relações complicadas mas pragmáticas, além de pedir que "não jogue lenha na fogueira".

O presidente francês, Emmanuel Macron, condenou as declarações "imprudentes e perigosas" de Ancara pedindo a Baku uma "reconquista" militar de Nagorno Karabakh.


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