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Estado de Minas

Alemanha pede à Rússia e China para autorizar publicação de informe da ONU sobre a Líbia


25/09/2020 19:25

A Alemanha pediu à Rússia e à China que autorizassem a publicação de um relatório provisório feito recentemente pela ONU sobre as violações ao embargo de armas imposto à Líbia, informou o vice-embaixador alemão na ONU, Günter Sautter, nesta sexta-feira (25).

"Não conseguimos chegar a um acordo sobre essa questão. Espero que as duas delegações que têm problemas com isso deem um sinal verde", afirmou o diplomata a repórteres antes de uma reunião a portas fechadas do Conselho de Segurança, solicitada pela Alemanha.

Entregue ao Conselho em agosto, o relatório provisório dos especialistas da ONU encarregados de controlar o embargo, que desde então é tema de inúmeros vazamentos publicados na imprensa, destaca que o grupo paramilitar russo Wagner, considerado próximo ao Kremlin, continua violando o embargo armamentista.

Normalmente, os relatórios provisórios dos especialistas da ONU não são publicados, ao contrário dos relatórios finais.

A Alemanha, que preside o Comitê de Sanções contra a Líbia, "quer garantir" que haja "transparência" sobre as violações, insistiu Sautter.

"Devemos nomear os responsáveis, culpá-los e envergonhá-los de violar de maneira flagrante o embargo de armas", ressaltou.

O documento, que a AFP teve acesso, afirma que "as atividades dos mercenários continuam e no caso do grupo Wagner, aumentaram".

As forças rivais do marechal Jalifa Haftar e do chefe do Governo do Acordo Nacional (GAN), Fayez al Sarraj, "recebem um apoio cada vez mais importante de atores estatais e não estatais, o que aumenta o risco de transição para um conflito armado internacional", frisou.

"O embargo de armas continua totalmente ineficaz. No caso dos Estados membros que diretamente prestam apoio às partes no conflito, as violações são extensas, flagrantes e não há consideração de eventuais sanções", insiste o documento.

O relatório confirma diferentes violações cometidas pelos Emirados Árabes Unidos, Jordânia, Egito, Síria, Rússia, Catar e Turquia.

Questionado nesta sexta-feira pela AFP sobre o assunto em uma conversa com jornalistas, o chefe da diplomacia dos Emirados Árabes Unidos, Anwar Gargash, não aceitou as acusações e se recusou a comentar um relatório que seu país não leu.

"Negamos categoricamente. Nossa posição é muito clara desde a Conferência de Berlim (em janeiro) sobre a necessidade de um cessar-fogo" na Líbia, acrescentou.

Reconhecida pela ONU, a GAN conta com o apoio da Turquia e do Catar. O marechal Haftar é apoiado, por sua vez, pelo Egito, Emirados Árabes Unidos e Rússia.


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