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Estado de Minas

Relatório acusa a China de impor formação profissional no Tibete


22/09/2020 11:25

A China aplica no Tibete uma política de redução da pobreza que obriga a população rural a realizar cursos de formação profissional semelhantes aos vigentes na vizinha Xinjiang, denuncia um estudo americano nesta terça-feira (22).

O presidente Xi Jinping havia estabelecido o final de 2020 como data limite para erradicar a pobreza extrema em seu país, que já experimentou um declínio fenomenal em 40 anos.

Mas este prazo fixo obrigou as autoridades a tentarem alcançar seus objetivos à força, ao pressionar as populações, muitas vezes relutantes em mudar, de acordo com a Fundação Jamestown, um centro de pesquisas americano.

As autoridades regionais do Tibete (sudoeste da China) implementam esses cursos de formação, que preparam as pessoas para trabalhos nas fábricas e em outros setores da atividade econômica: hotéis e restaurantes, construção civil, segurança e inclusive o artesanato.

No entanto, segundo a Fundação Jamestown, esses cursos são geralmente realizados em um ambiente militarizado e são um meio para tentar assimilar os tibetanos, que constituem 90% da população do Tibete.

Um documento do governo chinês citado no estudo norte-americano afirma que cerca de 500.000 habitantes desta região receberam cursos de capacitação durante os primeiros sete meses de 2020, com taxas variando de acordo com o local.

Além disso, cerca de 50.000 pessoas foram afetadas em outros lugares dos Tibete e mais de 3.000 em outras partes da China, segundo este relatório, realizado pelo pesquisador alemão Adrian Zenz.

Outros documentos oficiais tentam convencer a população rural a abandonar sua "mentalidade retrógrada" para se dedicar a trabalhos modernos e aumentar sua renda.

O caráter obrigatório desta formação não está comprovado, mas a pressão exercida sobre as autoridades pelo escalão superior implica necessariamente certa coerção, de acordo com a Fundação Jamestown.

Esta organização, fundada em 1984, tem como missão "informar e educar os dirigentes políticos", e afirma ter "contribuído diretamente para a queda do comunismo" na Europa e na ex-URSS.

Considera também que o plano de desenvolvimento do emprego tibetano é semelhante ao de Xinjiang (noroeste chinês), onde a China é acusada de ter internado um milhão de uigures muçulmanos em nome da luta antiterrorista.


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