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Estado de Minas

Acontecimentos após a retirada dos EUA do acordo sobre o programa nuclear iraniano


21/09/2020 17:25

Aqui estão os principais acontecimentos desde a saída unilateral dos Estados Unidos, em maio de 2018, do acordo sobre o programa nuclear iraniano, concluído três anos antes entre o Irã e os membros permanentes do Conselho de Segurança e a Alemanha.

- Trump deixa o acordo -

Em 8 de maio de 2018, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a retirada do seu país do acordo internacional sobre o programa nuclear iraniano e a retomada das suas sanções econômicas ao Teerã.

Assinado entre Irã, Estados Unidos, China, Rússia, Reino Unido, França e Alemanha em Viena, em 2015, o acordo permitiu a suspensão parcial das sanções contra Teerã em troca do compromisso de que o país não desenvolvesse armas nucleares.

Porém França, Alemanha e Reino Unido afirmam estar "determinados" a implementar o acordo de 2015 e a "manter os benefícios econômicos" para a população iraniana.

Em 21 de maio de 2018, o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, propôs uma lista com 12 condições para firmar um "novo acordo", com demandas muito mais duras sobre o programa nuclear e balístico de Teerã e seu papel nos conflitos no Oriente Médio.

Trump decide encerrar, desde maio de 2019, as isenções que permitem que oito países comprem petróleo iraniano sem violar as sanções americanas.

- Começo do desafio iraniano -

Em 8 de maio, o Irã retrocede em alguns dos seus compromissos, na tentativa de pressionar os países europeus que ainda fazem parte do acordo que o ajudem a contornar as sanções.

Donald Trump impõe novas sanções contra "os setores iranianos de ferro, aço, alumínio e cobre".

Em 24 de junho, Trump assina um decreto impondo sanções contra o líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, e outros altos funcionários do regime.

Em 1º de julho, o Irã anunciou que havia excedido o limite de 300 kg imposto pelo acordo de 2015 sobre suas reservas de urânio de baixo enriquecimento.

- Enriquecimento de urânio -

Em 26 de setembro de 2019, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) anuncia que o Irã reiniciou o enriquecimento de urânio.

No início de novembro, o Irã informa sobre a produção diária de cinco quilos de urânio levemente enriquecido, dez vezes mais do que no início de setembro. Recomeçam as atividades na usina subterrânea de Fordo (180 km ao sul de Teerã).

No dia 18, a AIEA informa que as reservas de água pesada do Irã ultrapassaram o limite estabelecido no acordo.

Em 5 de janeiro de 2020, Teerã anuncia o início da "quinta e última fase" do seu plano de redução de compromissos, alegando que não se sente mais afetado por quaisquer limites "no número de suas centrifugadoras".

No entanto, indica que "a cooperação do Irã com a AIEA continuará".

- Irã sob pressão -

Em 14 de janeiro, França, Reino Unido e Alemanha ativam o Mecanismo de Solução de Controvérsias (MRD) previsto no acordo, para tentar obrigar o Irã a mais uma vez cumprir com os compromissos firmados.

Em meados de fevereiro, Teerã disse que está disposto a cancelar todas ou parte das medidas tomadas para rescindir o acordo, mas apenas se a Europa oferecer vantagens econômicas "significativas".

No final de março, a Europa ativou o mecanismo de troca Instex pela primeira vez para fornecer equipamentos médicos ao Irã. Isso permite que as empresas ocidentais negociem com o Irã sem se expor às sanções americanas.

Em 19 de junho, a AIEA adota uma resolução com o envio de uma ordem ao Irã, que se nega a permitir o acesso a dois locais suspeitos de terem mantido atividades nucleares não declaradas há mais de quinze anos.

- Reprovação dos Estados Unidos -

Em 14 de agosto, o Conselho de Segurança da ONU rejeitou uma resolução dos Estados Unidos com o objetivo de prorrogar o embargo à venda de armas ao Irã, que expira em outubro, nocauteando os Estados Unidos.

No dia 20, Washington ativa formalmente um polêmico procedimento na ONU para exigir o restabelecimento das sanções contra o Irã, mas esbarra na recusa dos europeus e das demais grandes potências.

Em 1º de setembro, os demais signatários do acordo reiteraram em Viena sua vontade de retomá-lo.

- Estados Unidos retoma sanções da ONU -

Em 4 de setembro, relatórios da AIEA indicam que a agência conseguiu visitar uma das duas instalações nucleares às quais solicitou acesso, e que o fornecimento de urânio do país agora é dez vezes maior que o limite permitido.

No dia 20, os Estados Unidos solicita unilateralmente a retomada das sanções da ONU contra o Irã, sob ameaça de penalizar quem as violar.

A Rússia e os países europeus criticam.

O Irã afirma que os Estados Unidos estão "isolados" e "do lado errado da história".

No dia 21, os Estados Unidos anunciam sanções para pressionar mais ainda o Irã. Essas medidas punitivas contra 27 pessoas ou entidades iranianas tem como alvo principal o Ministério da Defesa iraniano, a Organização Iraniana de Energia Atômica e até mesmo o presidente venezuelano Nicolás Maduro, por suas relações cada vez mais estreitas com o Irã.

Segundo o chefe da diplomacia americana, Mike Pompeo, "há quase dois anos, funcionários corruptos de Teerã trabalharam com o regime ilegítimo da Venezuela para contornar o embargo de armas da ONU".


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