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Estado de Minas

Campanha nos EUA ganha força por decisão de Trump de acelerar substituição na Suprema Corte


20/09/2020 20:37

O candidato democrata à Casa Branca Joe Biden criticou neste domingo (20) a intenção de Donald Trump de nomear o novo membro da Suprema Corte antes da eleição presidencial, considerando que se trata de um "abuso de poder".

A determinação de Trump de preencher a vaga antes da eleição atraiu reações dos democratas, desesperados para evitar que o presidente reeleito mova a corte para a direita de forma duradoura.

Dois senadores republicanos também expressaram sua objeção a qualquer votação precipitada para confirmar no Senado a nomeada para substituir Ruth Bader Ginsburg, popular magistrada liberal que morreu na sexta-feira aos 87 anos.

Durante um discurso neste domingo na Filadélfia, Biden acusou Trump de exercer "poder político absoluto" ao tentar "empurrar" seu candidato à corte em meio a uma dura disputa eleitoral.

"Acho que os eleitores deixarão claro, não vão tolerar esse abuso de poder, esse abuso constitucional", disse Biden, que pediu ao Senado para não agir antes da eleição de 3 de novembro.

"Se Donald Trump vencer a eleição, o Senado avançará sua escolha e avaliará o candidato de maneira justa. Mas se eu ganhar a eleição, a indicação do presidente Trump deve ser retirada", disse Biden, que lidera as pesquisas eleitorais.

Trump disse no sábado que espera anunciar na próxima semana quem vai suceder Ginsburg e que "será uma mulher", embora tenha acrescentado que ainda não tomou uma decisão.

De acordo com a Constituição dos Estados Unidos, o presidente indica os juízes da Suprema Corte, cujos cargos são vitalícios, e o Senado deve confirmá-los.

No Senado, os democratas são minoria: ocupam 47 das 100 cadeiras. Dois senadores republicanos, Lisa Murkowski, do Alasca, e Susan Collins, do Maine, expressaram sua oposição a uma votação apressada, o que parece ser um sinal de que as chances para a aposta do presidente estão diminuindo.

- "Antes do dia das eleições" -

Os democratas denunciam como hipócrita a atitude da maioria dos republicanos, em particular a do líder do Senado Mitch McConnell, que em 2016 bloqueou a tentativa de Barack Obama, muito antes das eleições daquele ano, de preencher mais uma vaga na Suprema Corte.

Os republicanos insistem que a situação atual é diferente, porque o mesmo partido controla tanto o Senado quanto a Casa Branca.

"A coisa certa a fazer é o Senado confirmar a nomeação antes do dia da eleição", disse o senador republicano Ted Cruz à ABC.

A alta corte tem papel decisivo em questões de grande importância social, como aborto, saúde, controle de armas e direitos da comunidade LGBTQ.

Os conservadores controlam cinco das nove cadeiras, mas o presidente da Corte, John Roberts, às vezes se posiciona ao lado dos liberais.

Se a nomeação de quem sucederá "RBG" for feita nos próximos dias, a maioria conservadora provavelmente passará de 6 para 3.

Cruz, que está na lista de Trump de potenciais candidatos ao tribunal, insistiu no domingo que um tribunal em pleno funcionamento é necessário para evitar um impasse crítico no caso de uma batalha legal sobre o resultado da eleição.

"Uma composição de 4-4 não pode decidir nada", disse o senador no poder. "Precisamos de uma corte completa no dia da eleição".

- Substituições possíveis -

Segundo a imprensa, Trump tem em mente dois nomes para substituir "RBG": Amy Coney Barrett, uma juíza federal de apelação de 48 anos de Chicago, e Barbara Lagoa, 52, uma juíza federal de Miami.

Dos vinte nomes de uma lista provisória divulgada anteriormente por Trump, Barrett, uma católica fervorosamente antiaborto, é considerada uma das mais conservadoras.

Lagoa, por sua vez, um cubana-americana, poderia ajudar Trump a ganhar votos no importante estado da Flórida.

Nenhuma data foi definida para o funeral de Ginsburg ou um serviço memorial público, que com certeza será um grande evento nacional.


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