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Estado de Minas

Usuários do TikTok dos EUA se preparam para um possível êxodo


18/09/2020 21:01

Os usuários americanos do TikTok reagiram com calma nesta sexta-feira (18) à proibição iminente de baixar o aplicativo da rede social nos Estados Unidos, enquanto preparavam um possível êxodo para outros cantos da internet.

"Meu Deus! Ok! Está acontecendo! Todos fiquem calmos!", disse em um vídeo o tiktoker Nick Foster, que tem 577 mil seguidores, usando um áudio de uma famosa cena da série "The Office", em que o personagem de Steve Carrell entra em pânico após ouvir um alerta de incêndio.

Os usuários mais jovens do aplicativo chinês de vídeos, sua base mais significativa, não parecem ter prestado muita atenção ao anúncio do governo Donald Trump, mas os mais velhos reagiram. "Foi divertido, TikTok", disse The Buyin King, um investidor de 22 anos com 437 mil seguidores. "Obrigado pelos bons momentos".

Alguns foram didáticos, explicando que para quem já tem o aplicativo, nada ou quase nada vai mudar neste domingo, quando a medida entrar em vigor, nem até 12 de novembro, prazo para o TikTok resolver o que o governo dos EUA considera um problema de segurança nacional.

"É uma questão de posicionamento", afirmou Jeff Couret, um consultor que tem 376 mil inscritos. "Para Trump, é uma forma de mostrar ao TikTok que ele está falando sério, mas sem prejudicá-lo demais."

No entanto, vários tiktokers de sucesso estão se preparando para deixar a rede social, por precaução. Para aqueles que ganham a vida com sua presença na plataforma de vídeos curtos, o risco financeiro de uma extinção do aplicativo é muito alto.

A estrela Addison Rae, com seus 60,9 milhões de seguidores, ganhou 5 milhões de dólares no TikTok entre junho de 2019 e junho de 2020, de acordo com a revista Forbes.

Há semanas, muitos tiktokers têm lembrado seus seguidores de seus endereços no Instagram ou no YouTube, preparando a mudança.

- Concorrentes à espreita -

Referência absoluta dos tiktokers, Charli D'Amelio, que aos 16 anos já tem 87,5 milhões de inscritos, anunciou na terça-feira uma colaboração não exclusiva com a plataforma Triller, um aplicativo semelhante, onde é seguida por 1,1 milhão de pessoas.

Jovens desconhecidos, com mais de 10 milhões de seguidores no TikTok, como Bryce Hall, Nessa Barrett ou Chase Hudson, também abriram contas no Triller. O próprio Trump, que nunca teve uma conta na rede chinesa, abriu uma no Triller, onde já reúne quase um milhão de seguidores.

Fora uns passos de dança da música "YMCA" do Village People, Trump não aceitou nenhum dos desafios comuns no TikTok. Ele publica sobretudo vídeos atacando seu rival democrata nas eleições presidenciais de novembro, Joe Biden.

Em agosto, o Triller anunciou que o aplicativo já teve mais de 250 milhões de downloads, número questionado pela consultoria Apptopia, que estima o total em 52 milhões.

Esse não é, porém, o único a comemorar os problemas do gigante TikTok, que já foi baixado cerca de 2 bilhões de vezes no mundo e tem 100 milhões de usuários nos Estados Unidos. Outros incluem o Byte, lançado em janeiro; o Likee, que teria 7,2 milhões de downloads nos EUA entre fevereiro e agosto, segundo a Apptopia; e o Dubsmash.

Isso sem contar o Instagram ou mesmo o YouTube, que espalharam seus tentáculos com as funções Reels e YouTube Shorts, oportunamente recém-lançadas dentro de suas respectivas plataformas.

O vencedor "será aquele que os usuários leais do TikTok perceberem como o destino 'cool', onde você precisa estar", prevê James Mourey, professor de marketing da Universidade DePaul. O próprio TikTok lucrou com o fim do Vine em janeiro de 2017, que tinha 200 milhões de usuários ativos em seu auge.

No contexto atual, "novas start-ups como a Byte podem ter uma vantagem, porque sabemos que em tecnologia, marcas consolidadas tendem a perder seu lado 'cool'", descolado, explicou Mourey, que citou como exemplo a migração dos jovens do Facebook para o Instagram.

Entretanto, embora diminuído e suspenso, o TikTok ainda não está morto, alertou o especialista. Muita coisa pode acontecer até 12 de novembro. "E não devemos esquecer que o TikTok só é proibido nos EUA. Enquanto permanecerem dominantes a nível mundial, eles continuarão a inovar e reter uma base de usuários significativa", disse Mourey.


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