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Estado de Minas

Estados Unidos proíbem downloads de TikTok e bloqueiam uso do WeChat

A proibição intensifica o confronto de Washington com Pequim sobre a tecnologia digital


18/09/2020 19:55 - atualizado 18/09/2020 21:37

O presidente americano, Donald Trump, se mostrou otimista com a possibilidade de um acordo(foto: Reprodução)
O presidente americano, Donald Trump, se mostrou otimista com a possibilidade de um acordo (foto: Reprodução)
Estados Unidos ordenou, nesta sexta-feira (18), a proibição, o download do TikTok e bloqueou o uso do aplicativo WeChat, ambos de origem chinesa, uma nova escalada no confronto com a China sobre o destino desses dois aplicativos.


A partir do domingo o aplicativo WeChat perderá sua funcionalidade no território americano, enquanto os usuários do TikTok não conseguirão fazer atualizações, ainda que possam continuar acessando o serviço até 12 de novembro.


Esse período permitirá um eventual acordo entre a TikTok, de propriedade da ByteDance da China, e uma empresa americana para proteger os dados do aplicativo e acalmar as preocupações de segurança nacional de Washington que motivaram as medidas restritivas.


O presidente americano, Donald Trump, se mostrou otimista com a possibilidade de um acordo.


"Acho que isso pode sair rapidamente. Há grandes empresas falando conosco sobre isso", disse ele a repórteres na Casa Branca.


A ordem anunciada na sexta-feira é vista pelo governo Trump como essencial para a segurança nacional, já que o presidente enfrenta a China em meio a uma dura campanha de reeleição.


"O Partido Comunista chinês mostrou que tem os meios e a intenção de usar esses aplicativos para ameaçar a segurança nacional, a política externa e a economia dos Estados Unidos", disse o secretário de Comércio Wilbur Ross, em comunicado.


O TikTok rejeitou o anúncio feito nesta sexta-feira e disse que continuará o embate no tribunal.


"Não concordamos com a decisão do Departamento de Comércio e estamos decepcionados", informou um porta-voz da empresa à AFP.


Jameel Jaffer, diretor do Instituto Knight da Primeira Emenda da Universidade da Columbia, explicou que a proibição generalizada de plataformas virtuais populares gera preocupações sobre a capacidade do governo de regulamentar a liberdade de expressão garantida pela Constituição.


"É um erro pensar nisso como (apenas) uma sanção do TikTok e do WeChat. É uma restrição séria aos direitos da Primeira Emenda dos cidadãos e residentes americanos", ressaltou Jaffer.


- O serviço "desaparecerá" -


Depois de domingo, o serviço WeChat - um aplicativo para mensagens, compras, pagamentos e outros serviços - "desaparecerá", afirmou um alto funcionário do Departamento de Comércio.


Os usuários que têm o WeChat podem ter algum recurso ativo, mas isso "pode não estar funcionando depois de domingo", explicou.


Os usuários do WeChat nos Estados Unidos entraram com uma ação contra a proibição que permanece pendente.


A proibição americana do WeChat não afeta sua operação na China, onde é amplamente utilizado.


Quanto ao TikTok, os usuários poderão continuar a usá-lo até 12 de novembro, quando pode vir a ser totalmente banido se não houver um acordo que acalme as preocupações do governo em relação à segurança, segundo autoridades.


O TikTok, que permite aos usuários criar e compartilhar vídeos de até 60 segundos, tornou-se extremamente popular, principalmente entre os jovens, com 100 milhões de usuários somente nos Estados Unidos, e seu uso explodiu ainda mais entre adolescentes durante a pandemia.


A proibição intensifica o confronto de Washington com Pequim sobre a tecnologia digital.


Mas, segundo alguns especialistas, o governo Trump não apresentou evidências de que esses aplicativos representam uma ameaça à segurança nacional.


"Em vez disso, as medidas anunciadas colocam os usuários em risco, isolando-os das atualizações de software, incluindo as atualizações de segurança necessárias", explicou Daniel Castro, da Information Technology and Innovation Foundation (ITIF).


- Acordo com a Oracle? -


No início de agosto, o presidente já havia imposto um ultimato ao TikTok, acusado por ele de espionagem industrial por parte de Pequim, sem mostrar publicamente evidências tangíveis.


Trump deu à sua empresa matriz, ByteDance, até 20 de setembro, ou seja, este domingo, para vender as atividades do TikTok nos Estados Unidos a uma empresa "made in USA" (pertencente aos EUA).


No entanto, dois dias antes da data limite, as negociações ainda não deram frutos.


Um primeiro projeto que envolvia a Microsoft e o gigante de distribuição Walmart foi rejeitado pela empresa chinesa no fim de semana passado.


Na segunda-feira, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Steven Mnuchin, formalizou o nome de um novo sócio potencial, Oracle, com sede na Califórnia.


Alguns meios de comunicação mencionam uma participação minoritária (até 20%, segundo a CNBC) por parte da Oracle, especializada em software e serviços para empresas. A ByteDance conservaria a maior parte da participação.


O gigante dos supermercados Walmart também anunciou que pretende participar do novo projeto.


Um comitê de seguança nacional do governo dos Estados Unidos tem a tarefa de examinar a oferta da Oracle, depois que os legisladores republicanos alertaram sobre autorizar um acordo que continuaria deixando o aplicativo sob controle chinês.


No pano de fundo do caso TikTok, está a batalha travada entre Estados Unidos e China pelo domínio tecnológico.


Alguns especialistas apontam a dificuldade de encontrar um acordo que possa satisfazer simultaneamente os interesses das duas principais potências mundiais.


Dissipar as preocupações de ambos os países sobre a segurança, os algoritmos e outras tecnologias-chave usadas pelo TikTok parece uma tarefa difícil de executar.


"Embora as ameaças representadas pelo WeChat e pelo TikTok não sejam idênticas, elas são semelhantes. Cada um coleta uma quantidade significativa de dados dos usuários", observou o Departamento do Comércio.


A plataforma WeChat, que pertence à gigante chinesa Tencent, é onipresente na vida do povo chinês para mensagens, pagamentos remotos e reservas, entre outros usos.


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