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Estado de Minas

Índia reforça infraestruturas na fronteira com a China


18/09/2020 09:01

A Índia está construindo um túnel no Himalaia, a mais de 3.000 metros de altitude, para poder enviar soldados rapidamente para sua polêmica fronteira com a China, como parte de um programa de infraestruturas para esta área onde a tensão entre os dois gigantes asiáticos está aumentando.

Em junho, um confronto corpo a corpo causou 20 mortes no lado indiano e um número desconhecido de vítimas no lado chinês. As duas potências nucleares se culparam mutuamente e enviaram reforços.

Do seu lado da fronteira, a Índia acelerou suas atividades, mas está ficando para trás, segundo analistas. Além do túnel de Atal Rohtang, de nove quilômetros, foram planejadas estradas, pontes, heliportos de alta altitude e aeroportos para aeronaves civis e militares.

A infraestrutura mais importante é o túnel de US$ 400 milhões no estado de Himachal Pradesh, que o primeiro-ministro Narendra Modi vai inaugurar em breve. Permitirá que comboios passem independentemente do tempo, evitando cruzar a passagem de Rohtang, e reduzirá a viagem para cerca de dez minutos em vez de quatro horas.

"Às vezes, os veículos quebram na estrada da passagem, causando congestionamentos de seis a oito horas", declarou o tenente-general Harpal Singh, chefe da Agência de Estradas de Fronteiras (BRO).

"Este túnel e outros projetos de infraestrutura estão mudando as coisas para os militares", disse ele à AFP.

Atualmente, armas, munições e alimentos devem ser transportados antes do inverno, quando as temperaturas caem para -40ºC.

Demorou uma década para criar essa estrutura ultramoderna, um feito técnico. As obras são possíveis apenas de abril a setembro, devido às temperaturas do inverno. Os trabalhadores, munidos de chips especiais em caso de avalanche, tiveram de bloquear uma torrente de um lago próximo.

Especialistas apontam, porém, que todos esses esforços do lado indiano não são suficientes para igualar os feitos do lado chinês.

"Os governos anteriores perderam duas décadas", afirma Harsh Pant, do Observer Research Foundation, um centro de estudos em Nova Délhi. "A China e suas infraestruturas são muito mais fortes hoje", completa.

O chefe da polícia de Himachal Pradesh também propôs treinar a população local no uso de armas para se defender em caso de invasão.

"Eventualmente, na fronteira, ou no interior, as pessoas terão que ser treinadas para se defender", disse Sanjay Kundu à AFP.

Ele também defende estimular os moradores a relatarem quaisquer suspeitas de espiões chineses, de drones, ou e de sobrevoos de helicóptero.

Após um breve conflito entre os dois países em 1962, o governo espera que isso tranquilize os moradores mais preocupados.

"Nas últimas semanas, viram muito mais movimentos de aviões de combate na região", disse à AFP Lobsang Gyaltsen, um representante eleito de uma aldeia a cerca de 30 km da fronteira.

O BRO diz que construiu mais rodovias "estratégicas" - a maioria delas em pontos críticos perto da China - nos últimos quatro anos do que na década anterior e espera concluir mais 15 até o final de 2021.

Os trabalhadores estão melhorando os 250 km da rodovia Darbuk-Shyok, recentemente concluída, ao longo da fronteira em Ladakh, reduzindo o tempo de viagem de Leh, a capital regional, para menos de um dia em vez de uma semana.

De acordo com a imprensa, até outubro, todas as pontes dessa rodovia poderão suportar o peso de um tanque de guerra T-90 de 70 toneladas em uma carreta, ou de um caminhão carregando um míssil terra-ar.


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