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Estado de Minas

Israel pede retorno de 2.000 peregrinos judeus bloqueados na fronteira de Belarus


17/09/2020 09:37

Israel pediu, nesta quinta-feira (17), a um grupo de peregrinos judeus hassídicos bloqueados na fronteira entre Ucrânia e Belarus que volte para casa.

Esse grupo esperava participar de celebrações tradicionais na Ucrânia, mas seus integrantes foram bloqueados na fronteira com Belarus, devido a restrições relacionadas ao novo coronavírus.

Procedentes principalmente de Israel, mas também da França, Grã-Bretanha e Estados Unidos, esses judeus hassídicos esperavam participar de uma peregrinação a Uman, no centro da Ucrânia. Eles passaram por Belarus, acreditando que conseguiriam contornar as restrições impostas por Kiev diante do ressurgimento de casos de coronavírus em território ucraniano.

"Apesar dos numerosos esforços para ajudar os israelenses a entrar na Ucrânia por Belarus, ou pela Moldávia, recebemos uma resposta negativa final das autoridades ucranianas", escreveu o ministro israelense do Ensino Superior e da Água, Zeev Elkin, no Twitter.

"A Ucrânia anunciou que não permitirá a entrada em seu território através de passagens de fronteira (...) Peço aos nossos cidadãos que retornem para Israel e respeitem as medidas de quarentena na chegada", acrescentou.

Cerca de 2.000 peregrinos judeus estão bloqueados na fronteira com a Ucrânia.

Autoridades ucranianas e israelenses pediram aos judeus hassídicos que renunciassem à peregrinação este ano, devido à pandemia.

A maioria dos peregrinos está presa no posto fronteiriço de Novi Yarylovychi, que as autoridades ucranianas "fecharam completamente", garantindo que eles "recebam água e comida".

De acordo com a Cruz Vermelha bielorrussa, porém, eles não têm "recursos suficientes para se sustentar", e uma crise humanitária é temida.

"Estou esperando e orando para que abram a fronteira", disse um dos peregrinos na fronteira, Itsik Cohen, por telefone à AFP.

"A situação não mudou. Existem cerca de 1.000 na fronteira ucraniana e até 2.000 se incluir aqueles que estão em território bielorrusso", disse Andriï Demchenko, porta-voz da Guarda de Fronteira ucraniana, que garante que a situação está "calma".

"Eles dançam, cantam e oram", acrescentou.

Todos os anos, na época do Ano Novo Judaico, dezenas de milhares de peregrinos vão a Uman para orar no túmulo do rabino Nahman de Breslev (1772-1810), o fundador de um ramo do judaísmo ultraortodoxo, chassídico. A peregrinação está programada para durar de 18 a 28 de setembro.

Este ano, há apenas 2.000 peregrinos em Uman, de acordo com um deles, Moshe Garcin, 44 anos, que chegou com "o último avião" antes do fechamento da fronteira em 27 de agosto.

"Belarus está fechado. As pessoas estão começando a retornar a Israel", disse à AFP por telefone. "Todas as alfândegas estão fechadas, não deixam ninguém passar. Começaram a fechar as alfândegas via Polônia e outros países por onde poderíamos passar para a Ucrânia", acrescentou.

A crise se agravou na quarta-feira, com Kiev acusando Minsk de querer instrumentalizar a situação, em um cenário de tensões entre as duas capitais, após a contestada eleição presidencial bielorrussa de 9 de agosto.

A presidência ucraniana pediu às autoridades bielorrussas que "parem de exacerbar" esta crise na fronteira e "não espalhem declarações falsas que tragam esperança aos peregrinos" sobre sua abertura.

O presidente bielorrusso, Alexander Lukashenko, pediu na terça-feira a "abertura de um corredor humanitário" para os peregrinos.


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