Podemos beijar de novo? O coronavírus ainda é perigoso? Quando a vacina estará pronta? Pela terceira vez desde o início da pandemia, a primeira-ministra norueguesa respondeu, nesta quinta-feira (3), a perguntas de crianças.
Juntamente com a ministra da Educação e o ministro da Família, a uma respeitosa distância um do outro, Erna Solberg procurou esclarecer as dúvidas de uma geração saudosista dos tempos pré-covid, exercício considerado positivo pelos psiquiatras infantis.
"Espero que no próximo ano possamos começar a viver um pouco mais normalmente", respondeu Solberg aos alunos de uma turma do ensino fundamental. "Enquanto isso, temos que continuar fazendo como fazemos atualmente e cuidar uns dos outros".
Desde que coronavírus chegou à região, os responsáveis dos países nórdicos realizam sessões de perguntas e respostas para crianças e adolescentes.
Mas nenhum demonstrou tanta perseverança quanto os líderes noruegueses: é a terceira vez desde março que o mesmo trio participa de uma "coletiva de imprensa" como esta, transmitida ao vivo pela televisão.
Na sala de imprensa oficial, respondem com palavras simples, sem esconder a incerteza, a perguntas reunidas por um programa infantil da rede pública NRK.
"O verão acabou, as crianças começaram a escola, seu cotidiano mudou e novas questões surgiram, bem como a necessidade de conversar sobre o futuro", explicou Solberg por e-mail à AFP.
Desta vez, as crianças se questionam sobre a possibilidade de viajar, de jogar futebol com outras turmas no pátio ou se seus avós no exterior podem visitá-las.
Asio, de 12 anos, pergunta o que acontecerá no Halloween.
"Você pode comemorar o Halloween, respeitar a distância de um metro, bater nas portas, fantasiar-se e se divertir", responde a primeira-ministra.
- "Responsabilidade e obrigação" -
Para os especialistas, esses esforços pedagógicos são bem-vindos.
Daniel Marcelli, professor francês de psiquiatria infantil, vê isso como "uma iniciativa democrática bastante positiva".
"Para as crianças de sete-oito anos que atingiram a idade da razão, poder falar diretamente com o presidente, o primeiro-ministro, uma personalidade importante é um importante ato de reconhecimento que nutre um sentimento de cidadania", ressalta.
Na Noruega, é costume organizar debates políticos especialmente dedicados às crianças antes das eleições.
"É uma responsabilidade e uma obrigação que temos", disse Rune Alstadsaeter, secretário de Estado.
"A convenção sobre os direitos da criança diz em seu artigo 17 que o Estado deve garantir que todas as crianças tenham acesso à informação", apontou.
Sinal de sua popularidade, as coletivas de imprensa sobre a covid-19 levantaram centenas de questões.
"É normal", comenta o psiquiatra Serge Tisseron. "É a geração de amanhã. Eles estão muito atentos a tudo".
"Aos 40 ou 50 você viveu muitas coisas. Mas aos dez é normal se perguntar se vai continuar assim", explica.
Quer se trate de uma "operação eleitoral" ou de um "aprendizado democrático", o exercício, para ser interessante, deve, segundo ele, ser acompanhado de um debate prévio nas escolas antes das questões.
Em todo caso, todos se interessam, até os mais velhos.
"As crianças fazem perguntas muito diretas e sem remorso", diz Marcelli. "Frequentemente, as respostas também podem ser interessantes para os adultos."