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Estado de Minas

Guarda costeira italiana evacua 49 migrantes 'frágeis' do navio de Banksy


29/08/2020 16:25

A guarda costeira italiana respondeu neste sábado (29) aos pedidos de socorro do navio humanitário financiado pelo artista de rua britânico Banksy e evacuaram 49 migrantes, aqueles com estado de saúde mais frágil.

"Levando em conta o perigo da situação, a guarda costeira enviou um navio-patrulha de Lampedusa que evacuou 49 pessoas consideradas mais frágeis, entre as quais havia 32 mulheres, 13 crianças e quatro homens", informou a guarda costeira italiana em um comunicado.

O navio "Louise Michel", que ainda tem 201 pessoas resgatadas a bordo, se encontra em "uma área de busca e resgate do Estado maltês", acrescentou o comunicado.

Mas, "devido à deterioração prevista das condições meteorológicas marítimas na região", Malta entrou em contato com a guarda costeira italiana para que os ajudassem com esta operação.

"A guarda costeira italiana resgatou os 49 sobreviventes mais frágeis. É genial e isto nos deixa com uma maioria (de migrantes) que continua esperando", criticou com ironia em sua conta no Twitter a tripulação do navio humanitário.

- Ajuda de outro navio humanitário -

A tripulação do "Louise Michel" também informou sobre a chegada de outra embarcação humanitária, o "Sea-Watch 4", que "nos ajudará a fazer o que a Europa é incapaz de fazer".

O "Sea-Watch" 4, que realizou até agora três resgates e recolheu a bordo mais de 200 pessoas, também busca um porto para desembarcar.

"Dispomos de uma clínica a bordo do 'Sea-Watch 4' e vemos como poderemos ajudá-los. Também poderemos acolher migrantes a bordo, embora devamos respeitar as normas da covid-19", disse neste sábado (29) Hasiba Hadj-Sahraui, encarregada de assuntos humanitários da organização Médicos sem Fronteiras na Holanda, que denunciou "a situação insustentável" dos navios humanitários no Mediterrâneo.

Segundo o site Marinetraffic, o "Louise Michel" estava imóvel no mar na manhã deste sábado 100 quilômetros a sudeste da ilha italiana de Lampedusa, ao sul da Sicília.

Em 2020, houve um aumento no número de embarcações precárias que tentam cruzar o Mediterrâneo central, a rota migratória mais letal do mundo para os candidatos a um refúgio na Europa, em sua maioria procedentes da Líbia ou da vizinha Tunísia.

Mais de 300 migrantes morreram este ano ao tentar a travessia, mas a cifra poderia ser muito mais elevada, segundo a Organização Internacional para as Migrações (IOM).

Banksy, que mantém em sigilo sua identidade, explicou neste sábado em um vídeo publicado na internet ter financiado a embarcação porque "as autoridades da União Europeias ignoram deliberadamente os pedidos de socorro dos não europeus".

- Fretado com grande discrição -

O "Louise-Michel", que tem apenas dez tripulantes, pediu "ajuda imediata" na madrugada de sexta para sábado, após a morte de um migrante a bordo.

Após uma primeira operação na quinta-feira, a embarcação informou ter resgatado na sexta-feira 130 novos migrantes, que naufragaram com seu bote de borracha no Mediterrâneo. Mas devido à falta de espaço no "Louise Michel", teve que deixar 33 migrantes no bote.

A embarcação, nomeada em homenagem a uma anarquista francesa do século XIX e decorada com um grafite de Banksy, zarpou em 18 de agosto do porto espanhol de Borriana, perto de Valência, revelou na quinta-feira o jornal britânico The Guardian.

O The Guardian publicou várias imagens do "Louise Michel", pintado de rosa e branco, com um grafite que retrata uma menina usando um colete salva-vidas e uma boia em forma de coração.

Sua capitã é Pia Klemp, uma militante alemã de direitos humanos, conhecida por ter comandado outros barcos de resgate, como o "Sea-Watch 3".

Klemp é alvo de uma investigação por parte da justiça italiana por "ajuda à imigração ilegal", entre outras acusações.

A embarcação é um antigo navio da alfândega francesa. Com 31 metros de comprimento, é menor do que outros barcos humanitários, porém muito mais rápido, o que lhe permite escapar da guarda costeira líbia.

A operação foi organizada com grande discrição entre Londres, Berlim e Borriana, e Banksy não estaria a bordo, segundo o The Guardian.


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