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Estado de Minas

ONU visitou o presidente do Mali detido pelos militares


21/08/2020 14:19

A junta militar golpista no Mali permitiu que uma equipe da ONU visitasse o presidente Ibrahim Boubacar Keita e anunciou, nesta sexta-feira (21), a libertação de dois presos, antes da chegada de uma delegação de líderes da África Ocidental no sábado.

"Ontem (quinta-feira) à noite uma equipe de #Direitoshumanos do Minusma viajou para #Kati sob seu mandado de proteção dos direitos humanos e esteve em contato com o presidente Ibrahim Boubacar, assim como com outros detidos", disse no Twitter a missão da ONU no Mali, sobre a visita ao presidente deposto e ao primeiro-ministro Boubou Cissé.

Esse gesto dos militares, que dizem querer organizar uma transição política em curto prazo, coincide com as manifestações da oposição nesta sexta-feira à tarde na capital Bamako, onde milhares de pessoas se reuniram para "festejar a vitória do povo do Mali", três dias após o golpe contra Keita, que governava desde 2013.

A delegação da Comunidade Econômica da África Ocidental (Cedeao) chegará neste sábado no Mali, liderada pelo ex-presidente nigeriano Goodluck Jonathan, junto com o presidente da Comissão da Cedeao, Jean-Claude Kassi Brou, e o ministro das Relações Exteriores do Níger, Kalla Ankourao, disse a organização formada por 15 países.

- 17 autoridades continuam presas -

Com o golpe de Estado de terça-feira, os militares prenderam o presidente, também conhecido como "IBK", e o primeiro-ministro, que foram levados para o campo militar de Kati, na periferia de Bamako, o novo centro do poder neste país do noroeste africano.

"Autorizamos uma missão dos direitos humanos da ONU no Mali a visitar os 19 prisioneiros de Kati, incluindo o ex-presidente Ibrahim Boubacar Keita e o ex-primeiro-ministro", disse à AFP uma autoridade da junta, sob anonimato.

Os militares também prenderam outros funcionários, como os ministros da Defesa e do Interior, o presidente do Parlamento e os generais Dahirou Dembélé, M'Bemba Moussa Keita e Abdoulaye Coulibaly (chefe do Estado maior).

"Soltamos dois prisioneiros, o ex-ministro das Finanças e da Economia, Abdoulaye Daffé e Sabane Mahalmoudou", secretário pessoal do presidente, acrescentou a mesma fonte da junta militar, que destacou que ainda restam 17 presos.

O presidente Keita e seu primeiro-ministro continuam detidos em Kati, mas foram transferidos "para um chalé", onde não têm acesso à televisão, rádio nem telefone, disseram duas pessoas que puderam lhes visitar.

"Suas condições de prisão são aceitáveis", o presidente "parecia cansado mas sereno", contou uma dessas fontes.

Os outros detidos estão em um centro de treinamento em Kati, onde "dormem em colchões colocados no chão e compartilham a mesma televisão", segundo testemunhas entrevistadas pela AFP.

A junta quer implementar um conselho de transição, com um presidente que será "militar ou civil".

Também anunciou a reabertura, a partir desta sexta-feira, das fronteiras aéreas e terrestres, embora os países da África Ocidental tenham decidido fechar as suas com o Mali, exceto para produtos de primeira necessidade, medicamentos e energia.


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