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Estado de Minas

Bannon, ex-assessor de Trump, é detido por fraude em campanha para construir muro com o México


20/08/2020 23:13

Em um novo revés para o presidente americano Donald Trump, o seu ex-conselheiro, Steve Bannon, foi detido nesta quinta-feira (20), acusado de fraude contra cidadãos que doaram dinheiro para a construção de um muro na fronteira com o México, anunciou a promotoria do distrito sul de Nova York.

O estrategista da campanha presidencial do republicano em 2016 alegou inocência diante do crime de fraude bancária e do delito de conspiração para lavagem de dinheiro, segundo a imprensa americana.

Bannon foi liberado após pagar fiança de US$ 5 milhões. Ao sair do tribunal duas horas após o início da audiência, tirou rapidamente a máscara e sorriu para os jornalistas que o aguardavam, constatou um correspondente da AFP.

"Todo este fiasco é para deter as pessoas que querem construir o muro", declarou antes de entrar em um carro.

A acusação diz que a campanha virtual de arrecadação de fundos "Construímos o muro", idealizada por Bannon e outros três acusados, recebeu doações de mais de US$ 25 milhões.

Ainda que Bannon e outros três tenham prometido usar toda a quantia na construção do muro, na verdade ficaram com parte da quantia para uso pessoal, de acordo com os promotores.

A prisão do nacionalista Bannon é o episódio mais recente de uma série de embates judiciais envolvendo integrantes do círculo íntimo de Trump, que tentará a reeleição em 3 de novembro.

- "Muito triste" -

Nesta quinta-feira, Trump afirmou não saber de nada sobre a campanha 'on-line' para financiar o muro na fronteira com o México.

"Não sei nada sobre este projeto", afirmou Trump no Salão Oval. "Não tenho contato com ele há muito tempo", acrescentou, referindo-se a seu ex-assessor.

"Acredito que seja algo muito triste para Bannon. Acredito que seja surpreendente", prosseguiu Trump, que disse "sentir-se muito mal' pelo ex-assessor.

Em colaboração com a Guarda Costeira, as autoridades prenderam Bannon, de 66 anos, na manhã desta quinta-feira, em um iate de 45 metros quadrados na costa de Connecticut, de acordo com o New York Times. O jornal informou que o barco de US$ 35 milhões pertence ao milionário chinês exilado, Guo Wengui.

Em 2018, a campanha "Construímos o muro" foi criada por outro acusado, Brian Kolfage, hospedada no site GoFundMe.

Tinha como objetivo arrecadar fundos para o muro que o presidente americano prometeu construir durante sua campanha eleitoral em 2016, como forma de impedir a imigração ilegal a partir do México e da América Latina.

Uma semana após o lançamento, a campanha já estava havia recebido US$ 17 milhões em doações, o que fez o GoFundMe suspeitar e levou o site a encerrá-la.

O GoFundMe informou aos organizadores que deveriam identificar uma organização sem fins lucrativos legítima para a qual destinariam o dinheiro, caso contrário, seria devolvido aos doadores.

De acordo com a acusação, os réus começaram a usar uma organização sem fins lucrativos controlada por Bannon e uma empresa de fachada dirigida por outro acusado, Timothy Shea, além de recibos falsos e acordos falsos de vendas para esconder as transações.

- Barcos, viagens, cirurgia plástica -

Bannon e outro acusado, Brian Kolfage, de 38 anos, veterano da Força Aérea e fundador da campanha "We Build the Wall" ("Nós Construímos o Muro"), asseguraram aos doadores que 100% do dinheiro seria utilizado para a construção do muro, e que Kolfage não obteria um centavo do que foi arrecadado como salário ou compensação, segundo a Procuradoria.

Mas, de acordo com a acusação, Kolfage ficou com 350.000 dólares para financiar seu "estilo de vida luxuoso", incluindo a compra de um barco, um veículo de luxo, um carro de golfe, cirurgia plástica e dívidas em cartões de crédito.

Bannon, Shea e Andrew Badolato receberam centenas de milhares de dólares cada um deles, usando a quantia com viagens, hotéis e produtos variados, segundo a Promotoria.

Bannon é acusado especificamente pelo desviou um milhão de dólares para sua organização sem fins lucrativos que, segundo a acusação, pagava secretamente a Kolfage, que aumentava a quantia no bolso do ex-assessor presidencial.

Os quatro detidos foram acusados de dois crimes: fraude bancária e conspiração para lavagem de dinheiro. Cada delito pode resultar em uma pena máxima de 20 anos de prisão.

A próxima audiência de Bannon diante de um juiz federal de Nova York foi marcada para 31 de agosto.

Antes de se tornar o estrategista da campanha presidencial nacionalista e populista de Trump em 2016, Bannon dirigia o site de extrema direita Breitbart News.

Apelidado de "príncipe das trevas", ele passou a ter grande influência sobre Trump como estrategista-chefe da Casa Branca. Seu nacionalismo econômico tornou-se o eixo das políticas do presidente.

No entanto, Bannon deixou a Casa Branca em agosto de 2017, após vários confrontos com Trump e membros de sua equipe.


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