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Estado de Minas

Pandemia mantém ritmo na América Latina, onde o Peru terá novo toque de recolher


12/08/2020 20:18

O firme avanço da pandemia na América Latina, a região mais atingida do mundo pela COVID-19, coloca em dúvida a flexibilização de medidas em vários países para aliviar o grave impacto econômico registrado em todo o planeta, ao mesmo tempo que obriga, como no Peru, a instauração de novas restrições.

Em um momento em que a América Latina registra mais de 5,7 milhões de casos e mais de 225.000 óbitos por COVID-19, o presidente do Peru, Martín Vizcarra, anunciou a reinstauração do toque de recolher dominical e a proibição de reuniões sociais ou familiares.

Com 632 falecimentos por milhão de habitantes, o Peru (32,9 milhões de habitantes) é o país latino-americano mais atingido pela pandemia em números proporcionais. Em números absolutos (489.600 casos e cerca de 21.500 óbitos), é o terceiro país mais afetado, atrás de Brasil e México.

"Temos que dar um passo para trás nas medidas que estávamos liberando. A partir deste domingo, retorna a imobilização obrigatória a nível nacional", declarou Vizcarra ao anunciar as medidas para frear os contágios, seis semanas após o início da flexibilização gradual.

A média diária de infecções mais do que duplicou em um mês para 7.025 na última semana. "Os principais focos de contágio são agora nossos amigos e familiares", explicou Vizcara.

No Brasil, onde registra-se a maioria dos casos na região, com quase 3,2 milhões, além de mais de 104.000 óbitos, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB-SP), anunciou ter contraído a doença.

"Infelizmente eu dei positivo, estou com coronavírus. Absolutamente assintomático, me sinto bem, vou para casa e seguirei o protocolo médico" de isolamento nos próximos 10 dias, informou Doria, um ferrenho crítico do presidente Jair Bolsonaro, a quem acusa de minimizar a gravidade da pandemia.

A Argentina superou a marca dos 5.000 óbitos por COVID-19, após registrar um recorde de 241 falecimentos na noite de terça-feira e 84 mais na manhã desta quarta, de acordo com o Ministério da Saúde.

O país soma 5.088 óbitos desde 7 de março e 260.898 contágios em uma população de 44 milhões de habitantes, parte da qual continua confinada na Área Metropolitana de Buenos Aires.

Em Santiago, outra cidade onde seguem ativas umas das quarentenas mais longas do mundo, com quase cinco meses de duração, o isolamento será levantado na próxima segunda-feira. As autoridades registraram uma melhora nos índices de contágios.

A partir de segunda, a zona central da capital chilena se somará a outras seis que já saíram da quarentena e entraram na chamada "fase de transição", prévia à suspensão completa do confinamento.

- Economias sofrem -

A pandemia contaminou 20,4 milhões de pessoas em todo o mundo, das quais quase 750.000 faleceram, de acordo com a recontagem da AFP a partir de dados oficiais.

Ao trágico saldo de vidas somam-se crises econômicas que refletem novos dados desanimadores.

Nesta quarta-feira foram divulgados os dados oficiais macroeconômicos do segundo trimestre no Reino Unido, que confirmaram uma recessão histórica, com uma queda do Produto Interno Bruto (PIB) superior a 20% entre abril e junho.

Este é o pior resultado desde o início dos cálculos trimestrais nos anos 1950 e se devem, sobretudo, a um confinamento muito prolongado, que paralisou totalmente a economia em abril.

Para 2020, o Banco da Inglaterra prevê uma queda de 9,5% do PIB do Reino Unido, que registra 46.000 mortes provocadas pela COVID-19.

Contudo, as autoridades modificaram nesta quarta-feira a forma de contabilizar as mortes por COVID-19: só serão registrados a partir de agora os falecimentos até 28 dias depois de confirmado um teste positivo. Isso reduz o balanço em 5.300 óbitos, para 41.329.

Os efeitos da pandemia são profundos até em países com um balanço reduzido de vítimas fatais, como a Nova Zelândia, apontada como um modelo de gestão e que registra 22 mortes em uma população de cinco milhões.

Nesta quarta-feira, a primeira-ministra Jacinda Ardern afirmou que cogita adiar as eleições de 19 de setembro após a detecção de oito novos casos pela primeira vez desde maio, o que levou as autoridades a decretar um confinamento de pelo menos três dias em Auckland, onde vivem 1,5 milhão de pessoas.

- "Faíscas" que provocam incêndios -

O país mais atingido pela pandemia é os Estados Unidos, que têm 164.000 mortos e cinco milhões de casos.

Na Espanha, com mais de 28.000 mortos, a epidemia volta a acelerar e registra uma média superior a 4.900 contágios diários, mais do que a soma dos casos da França, Reino Unido, Alemanha e Itália.

Em Aragón, região espanhola com a maior taxa de contágios, 270 casos para cada 100.000 habitantes, 242 internações e 32 mortes foram registradas nos últimos sete dias.

Tudo começou com focos familiares em bairros populosos de áreas carentes, destaca José Ramón Paño, especialista em doenças infecciosas no hospital clínico universitário de Zaragoza.

As "faíscas iniciais" ganharam força com "eventos de supertransmissão", como festas de família ou o lazer noturno.

"O incêndio se propagou aos locais trabalho e asilos, o que deixou o sistema de saúde sob pressão", disse Paño.

No contexto da crise prossegue a corrida para desenvolver uma vacina confiável. Desde terça-feira o mundo reage com ceticismo e prudência ao anúncio da Rússia sobre a primeira vacina "eficaz" contra o coronavírus.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recordou que a "pré-qualificação" e a homologação de uma vacina exigem um procedimento "rigoroso".

O secretário de Saúde dos Estados Unidos, Alex Azar, que está em visita a Taiwan, destacou a necessidade de fornecer "vacinas seguras e eficazes". Ele destacou que isso "não é uma corrida e não consiste em chegar primeiro".

Contudo, o presidente filipino, Rodrigo Duterte, se ofereceu como voluntário para testar a vacina russa. "Acredito que a vacina que produziram realmente é boa para a humanidade", declarou.


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