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Estado de Minas

Presidente do Peru nomeia general reformado como chefe de gabinete em meio a crise


06/08/2020 18:26

O presidente do Peru, Martín Vizcarra, nomeou nesta quinta-feira (6) o general reformado Walter Martos - antes ministro da Defesa - como chefe de gabinete, como forma de evitar um embate com o Congresso em meio a uma recidiva da pandemia do novo coronavírus.

Martos substitui Pedro Cateriano, que foi forçado a renunciar 20 dias após assumir o cargo junto com todo o gabinete, depois do Congresso lhe negar um voto de confiança na terça-feira.

Essa crise fez com que o presidente designasse uma nova autoridade à frente do Conselho de Ministros em um prazo de até 72 horas, e remodelar o gabinete.

As ministras da Saúde, Pilar Mazzetti, e da Economia e Finanças, Maria Antonieta Alva, mantiveram os respectivos cargos na nova equipe.

Vizcarra, que iniciou o último ano de seu mandato, em 28 de julho, empossou os 19 ministros do gabinete durante uma cerimônia no Palácio do Governo, transmitida na televisão pela emissora estatal.

"Não coloquemos obstáculos entre nós, a vida e a saúde de milhares de peruanos depende de nós, é um momento de união sem distinção política ou religiosa", disse Vizcarra.

O gabinete liderado por Martos deve imediatamente ampliar a relação com o Congresso, controlado por uma aliança diversa de quatro partidos populistas de centro-direita e esquerda.

A opositora, Keiko Fujimori, garantiu que o seu partido Força Popular (direita populista), minoritário no Congresso, apoiará o governo.

"Vivemos uma situação de emergência nacional muito dramática. Nós da Fuerza Popular reafirmamos que o país está acima de qualquer diferença pessoal ou partidária. Precisamos superar essa crise política o mais rápido possível", escreveu Fujimori no Twitter.

- Primeiro militar em uma década -

Martos, de 62 anos, general de divisão que se reformou em 2013, será o primeiro militar a ocupar a presidência do Conselho de Ministros em uma década. Em 2011, Oscar Valdés, tenente-coronel reformado, fez isso durante o mandato de Ollanta Humala.

O novo gabinete de Martos é o quinto designado por Vizcarra desde que assumiu a Presidência peruana, em março de 2018.

O novo chefe de gabinete sucede Pedro Cateriano, no cargo de 15 de julho a 4 de agosto, até o Congresso lhe negar o voto de confiança para exercer formalmente suas funções.

Martos deve comparecer ao Congresso dentro de 30 dias para apresentar seu plano de governo.

O presidente peruano precisa de partidos e bancada no Congresso, uma situação que o torna vulnerável, embora compense essa desvantagem com o forte apoio de mais de 60% da população, segundo pesquisas.

O Congresso exige que Vizcarra priorize os cuidados sanitários e a recuperação da economia, que entrou em colapso durante os quase quatro meses de confinamento por causa da pandemia.

Na quarta-feira, o Peru registrou um recorde de 221 mortes por coronavírus e 7.734 novos casos, o segundo maior número diário desde os 8.805 registrados em 31 de maio, de acordo com boletim atualizado do Ministério da Saúde.

Com 447.624 casos e 20.228 mortes pelo novo coronavírus, o país andino de 33 milhões de habitantes é o terceiro na América Latina em casos e óbitos por COVID-19, atrás do Brasil e do México.


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