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Estado de Minas

Crianças órfãs mexicanas sofrem o colapso econômico da pandemia


05/08/2020 12:25

Em um orfanato do México, as freiras precisam diluir o leite com água e esticar o pouco dinheiro para alimentar as crianças resgatadas da violência e da pobreza, que voltam a castigá-las devido à pandemia.

A Casa Hogar San Martín De Porres e Juan XXIII, dependente de recursos estatais que já eram insuficientes antes da pandemia, perdeu também vários de seus doadores habituais pela crise gerada pelo coronavírus.

"Muitos deles ficaram desempregados, então suspenderam suas doações até novo aviso", conta à AFP sua diretora, a madre Inés de María Piedras.

A situação tornou-se crítica para este abrigo de Texcoco (estado do México, centro), que desde 1965 acolhe menores vítimas de maus-tratos, abusos sexuais ou do desaparecimento repentino dos pais. Atualmente, moram lá 65 crianças e adolescentes.

Devido às precauções de saúde, as religiosas não podem receber mais menores, nem as visitas de sábado de empresas e organizações civis que costumam levar ajuda em espécie.

"É uma situação que nos preocupa bastante, porque não temos uma segurança financeira", afirma Piedras, de 52 anos, em uma pequena sala cheia de brinquedos, o primeiro lugar em que as crianças pisam quando chegam lá.

- Traço de violência -

As crianças são, em sua maioria, meninas. As que estão lá há mais tempo estampam o rosto com grandes sorrisos, enquanto as que chegaram recentemente mantêm a cabeça baixa e uma atitude de medo.

Texcoco está a 30 km de Ecatepec, considerado o município mais perigoso do país para as mulheres.

Apenas no decorrer deste ano, as autoridades registraram 473 denúncias de feminicídio em todo o país. O estado do México lidera a lista por regiões, com 63 casos.

As crianças chegam ao orfanato encaminhadas por autoridades como o Ministério Público, mas apenas o Sistema Nacional para o Desenvolvimento Integral da Família financia sua manutenção com US$ 1.500 por mês.

É apenas um quarto do necessário, comenta Piedras, enquanto seca as lágrimas como de costume, durante uma visita à cozinha.

- "Fazemos milagres" -

A situação a forçou a tomar medidas extremas. "Um litro de leite foi reduzido a três quartos de leite e um quarto de água", confessa Bárbara de la Rosa, cozinheira do abrigo.

"Nós fazemos milagres!", acrescenta a mulher de 37 anos. As freiras tiram água potável de sua casa, porque o poço do qual se sustentam está secando.

O México, com 128,8 milhões de habitantes, é o terceiro país mais afetado pela COVID-19, com mais de 48.000 mortos e cerca de 450.000 casos confirmados.

Ao saldo trágico, acrescenta-se uma queda histórica do PIB de 17,3% no segundo trimestre de 2020, e a perda de mais de 12 milhões de empregos, especialmente no setor informal, o que complica ainda mais o cenário.

Diante desta situação, as freiras lançaram um pedido de ajuda e organizaram uma campanha nas redes sociais para arrecadar fundos. No entanto, a resposta até agora tem sido modesta.


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