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Estado de Minas

Rei emérito espanhol pode estar em Portugal; República Dominicana desmente sua entrada no país


04/08/2020 18:01

A imprensa espanhola tentava localizar nesta terça-feira (4) Juan Carlos I, rei emérito do país, que poderia estar em Portugal, um dia depois do anúncio de seu exílio da Espanha. A informação não foi confirmada pela Casa Real.

Toda a imprensa tinha como certo que o ex-chefe de Estado, investigado por corrupção, já havia deixado a Espanha, o que nem a Casa Real nem o governo corroboraram.

O jornal online El Confidencial indicou na terça-feira à tarde que Juan Carlos, 82 anos, estaria em Portugal, onde passou parte de sua adolescência, na cidade de Azeitão, localizada a cerca de trinta quilômetros de Lisboa.

Já o jornal ABC, próximo da monarquia, e outros veículos divulgaram que o monarca teria abandonado a Espanha para seguir até a República Dominicana, após uma escala em Portugal.

No entanto, o serviço de imigração dominicano afirmou que Juan Carlos I "não entrou" em seu território e o Ministério das Relações Exteriores do país disse à AFP "não ter informações" sobre o rei emérito.

O monarca, envolvido em um escândalo de corrupção, anunciou na segunda-feira a decisão de deixar a Espanha para ajudar o filho, o rei Felipe VI, no "exercício de suas responsabilidades". A carta dirigida a Felipe VI, publicada no site da Casa Real, não informa o novo destino de Juan Carlos I.

O presidente do governo Pedro Sánchez disse que não sabia sua localização e sugeriu que foi o atual rei que pressionou seu pai a deixar o país.

"O governo e eu, como presidente, expressamos nosso absoluto respeito às decisões que a Casa Real tomou (...) para se distanciar de uma conduta questionável e repreensível" de um membro da família real, disse Sánchez em entrevista coletiva.

O rainha emérita Sofia, que vive há anos separada do antigo monarca, ainda está na Espanha, segundo uma fonte próxima ao palácio real.

- Popular por décadas -

O rei Juan Carlos viu seu nome citado nos últimos meses em reportagens da imprensa da Suíça e da Espanha que apontam o recebimento de comissões supostamente ilegais por parte da Arábia Saudita. O Tribunal Supremo espanhol anunciou em junho uma investigação sobre os casos e os possíveis crimes do monarca, mas apenas os cometidos a partir de 2014, quando perdeu sua imunidade com a abdicação.

Javier Sánchez-Junco, advogado do rei emérito, afirmou na segunda-feira que seu cliente se colocará à disposição da promotoria, se necessário.

Juan Carlos ascendeu ao trono em 1975, após a morte do ditador Francisco Franco, e ocupou a função de chefe de Estado da Espanha durante 38 anos, até sua abdicação em benefício do filho Felipe em junho de 2014.

O rei emérito teve grande popularidade durante décadas por seu papel durante a transição espanhola, mas nos últimos anos sua imagem perdeu força por seu comportamento individual e os casos de corrupção da família real.

- Comissões multimilionárias -

Juan Carlos voltou ao centro das polêmicas a partir de dezembro de 2018, quando a empresária alemã Corinna Larsen, sua ex-amante, declarou à promotoria suíça que o rei emérito havia feito transferências multimilionárias.

Segundo ela, Juan Carlos recebeu uma comissão depois que as empresas de construção espanholas assinaram um contrato para construir a linha de trem de alta velocidade entre Meca e Medina na Arábia Saudita.

A ex-amante disse à promotoria que Juan Carlos havia transferido uma "doação" de 65 milhões de euros para uma conta nas Bahamas, em declarações recentes ao jornal El País, o que gerou mais comoção na Espanha.

A imprensa suíça também informou em março que Juan Carlos havia recebido uma US$ 100 milhões do monarca saudita Abdullah por uma fundação do Panamá que atuava como uma empresa de fachada, através de uma conta bancária suíça. No mesmo mês, o Daily Telegraph apontou que o rei Felipe também seria um dos beneficiários dessa fundação panamenha.

Felipe VI tentou se distanciar de seu antecessor e anunciou em março que estava desistindo da herança de seu pai, além de retirar seu subsídio anual de cerca de 200 mil euros.

A imagem pessoal de Juan Carlos de Borbón foi muito abalada por essas revelações, que se somaram a outras controvérsias antes da abdicação, como quando ele quebrou o quadril em uma caçada em Botswana em 2012 durante um safári de luxo pago por um empresário saudita. Ele estava acompanhado da ex-amante Corinna Larsen, em meio à crise econômica na Espanha.


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