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Estado de Minas

Especialistas alertam para possível volta aos EUA de doença que causa paralisia em crianças


04/08/2020 16:54

Uma condição neurológica rara que afeta principalmente crianças e retorna misteriosamente a cada dois anos provavelmente aparecerá nas próximas semanas e meses, alertaram as autoridades de saúde dos Estados Unidos nesta terça-feira (4).

Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) informaram a previsão de que "2020 será outro ano de pico para casos de mielite flácida aguda (AFM)".

A doença, que provavelmente é causada por um vírus, pode causar paralisia permanente e complicações com risco de vida por insuficiência respiratória, acrescentou o CDC.

"A AFM é uma emergência que requer cuidados médicos e monitoramento imediatos, já que pode progredir rapidamente para insuficiência respiratória", afirmou nesta terça-feira a jornalistas o diretor do CDC, Robert Redfield.

Ele alertou os pais para não hesitarem em hospitalizar seus filhos, apesar da pandemia de COVID-19, se eles apresentarem sintomas.

A maioria dos pacientes desenvolve fraqueza repentina nos braços ou pernas, com a doença afetando o sistema nervoso, especificamente a área da medula espinhal chamada substância cinzenta, explicou.

A AFM atinge seu pico a cada dois anos, de agosto a novembro, desde 2014.

Em 2018, 238 casos foram identificados nos Estados Unidos, com pacientes com idade média de cinco anos.

Os médicos pouco podem fazer para tratar a doença, que pode causar paralisia em poucas horas ou dias e não tem tratamento conhecido.

"Infelizmente, muitas crianças com AFM terão incapacidade permanente", disse Thomas Clark, pediatra e vice-diretor de doenças virais do CDC.

"É realmente importante que as crianças entrem em reabilitação", como fisioterapia e terapia ocupacional, acrescentou.

Autoridades estão contatando as famílias de crianças que contraíram AFM em 2018 para descobrir como a doença progrediu, além de detalhes sobre seu estado atual de paralisia.

Os primeiros sinais de alerta da AFM incluem febre e sintomas respiratórios e, após seis dias, fraqueza nos braços e pernas às vezes acompanhada de dificuldade para caminhar, dor no pescoço ou nas costas e dor nos membros, de acordo com um estudo de 2018 casos.

Além da paralisia permanente, a AFM também pode causar complicações respiratórias graves, com quase um quarto dos pacientes precisando de ventilação mecânica para respirar.

Os enterovírus são os principais suspeitos da causa da AFM, particularmente o enterovírus-D68, encontrado em cerca de 30 pacientes.

Os especialistas do CDC, no entanto, disseram que não descartam o envolvimento de outros vírus na doença.


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