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Estado de Minas

Primeiro-ministro do Iraque anuncia eleições legislativas em junho de 2021


31/07/2020 18:55

O Iraque organizará eleições legislativas antecipadas em 6 de junho de 2021, anunciou o primeiro-ministro Mustafah al-Kazimi nesta sexta-feira (31).

Ele havia prometido as eleições no início de maio, quando assumiu o poder após meses de uma revolta popular contra a corrupção. "Está marcada a data 6 de junho de 2021 para a realização das eleições legislativas", declarou Kazimi, em discurso televisionado.

O primeiro-ministro, que é também o chefe dos serviços de inteligência, acrescentou que as autoridades farão "o que for necessário para proteger as eleições e torná-las um sucesso".

Kazimi chegou ao poder substituindo Adel Abdel Mahdi, com a missão de liderar um governo de transição enquanto eram organizadas estas eleições, uma das demandas da revolta popular que eclodiu em outubro.

As últimas eleições legislativas iraquianas foram realizadas em maio de 2018. As seguintes estavam marcadas para maio de 2022, mas o governo concordou em antecipá-las.

Durante meses, centenas de milhares de pessoas invadiram as ruas de Bagdá e outras cidades para exigir o fim do regime e a saída da classe política. Os manifestantes denunciavam a corrupção e o sistema ineficiente de distribuição de postos com base em grupos étnicos ou confessionais.

Para tentar apaziguar a revolta, o governo propôs uma nova lei eleitoral ao Parlamento. A norma foi votada rapidamente, mas especialistas e diplomatas alertam que a parte que detalha as modalidades de voto e as zonas eleitorais ainda não foi finalizada.

A Alta Comissão Eleitoral, que supervisiona as eleições no Iraque, é controlada pelos grandes partidos políticos e, às vezes, é acusada de parcialidade. Ainda não está claro seu papel na organização das próximas eleições.

Em relação aos manifestantes de outubro, até o momento eles não se organizaram como força política para representar suas reivindicações como partido político.

Kazimi prometeu novamente esclarecer os atos de repressão violenta ao movimento, que teve 560 mortos e 30.000 feridos. A ONU atribui a "milícias" sequestros e assassinatos.

- Crise e marasmo -

A missão da ONU no Iraque parabenizou o anúncio de Kazimi, ao considerar que uma eleição antecipada responde a um "pedido fundamental" dos cidadãos. Informou estar disposta a "prestar apoio" para "eleições livres, igualitárias e confiáveis".

As legislativas de 2018 tiveram uma abstinência recorde: a participação chegou a 44,2%, segundo números oficiais, que muitos consideram aumentados.

Os eleitores deram as costas para os principais partidos históricos e votaram principalmente no líder xiita Moqtada al-Sadr, ex-chefe de milícia aliado aos comunistas em torno de um programa anticorrupção, e nos ex-paramilitares pró-iranianos do Hachd al-Chaabi, que agora fazem parte do Estado.

O governo de Kazimi herdou um país debilitado. Dois anos após o fim da guerra contra os extremistas, após décadas sucessivas de violência e conflito, o Iraque encontra-se em um marasmo político e econômico, pressionado pelos Estados Unidos e pelo Irã.

Em meio à pandemia, o segundo maior produtor da Opep também enfrenta a crise na saúde por causa do novo coronavírus e a queda nos preços do petróleo.


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