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Estado de Minas

Estados Unidos e China: duelo de titãs


29/07/2020 08:55

Perfil comparado de Estados Unidos e China, duas superpotências que protagonizam uma intensa luta pela liderança mundial.

- Gigantes geográficos e demográficos -

Estados Unidos, com uma superfície de 9,8 milhões de km2, e China, com 9,56 milhões de km2, estão entre os quatro países mais extensos do mundo, atrás apenas de Rússia e Canadá.

A China, um dos cinco últimos Estados onde um Partido Comunista exerce o poder, é o país de maior população do mundo, com 1,39 bilhão de habitantes em 2019 (Banco Mundial), enquanto os Estados Unidos têm a terceira maior população do planeta, com 328 milhões de habitantes.

- Potências econômicas -

Os Estados Unidos lideram o ranking das potências econômicas mundiais, com um PIB de 21,4 trilhões de dólares em 2019. A China aparece em segundo lugar, com PIB de 14,3 trilhões de dólares, conforme o Banco Mundial.

Em 2019, o crescimento da China foi de 6,1%, a menor taxa em quase 30 anos, em plena guerra comercial, declarada em 2018 por Donald Trump para reduzir o déficit comercial dos Estados Unidos. Os dois países concluíram um acordo preliminar em janeiro.

As duas economias foram afetadas pelas consequências da pandemia do novo coronavírus, que foi detectado oficialmente em dezembro na China.

Apesar dos modelos muito diferentes, China e Estados Unidos apresentam números muito similares em termos de desigualdades.

De acordo com dados do Banco Mundial (2016), 10% da população (os mais ricos) concentra, nos dois países, 30% da renda.

Além disso, os índices de Gini, o coeficiente que avalia a concentração de renda, são bastante próximos, ao redor de 40 (em uma escala de 0 a 100 em que, quanto maior o coeficiente, maior a desigualdade).

- Potências militares -

Os Estados Unidos lideraram os gastos militares no mundo em 2019 (732 bilhões de dólares), à frente da China (261 bilhões), segundo o Instituto Internacional de Pesquisas sobre a Paz de Estocolmo (SIPRI).

Entre 2015 e 2019, Estados Unidos e China eram, respectivamente, o primeiro e o quinto exportador de armas (China também era o quinto importador).

Os americanos possuem quase 5.800 ogivas nucleares, muito à frente dos chineses (320), que se recusam a participar das negociações sobre a redução de arsenais nucleares.

A China tem um novo míssil balístico intercontinental que supostamente poderia atingir qualquer ponto dos Estados Unidos. O país também somou a suas forças um segundo porta-aviões e um novo destróier.

Além de uma base militar em Djibuti e de sua participação em missões da ONU, o Exército chinês mal está presente no exterior, ao contrário dos militares americanos.

- BATX contra GAFA -

Os Estados Unidos viram o crescimento dos "GAFA", os gigantes das novas tecnologias Google, Apple, Facebook e Amazon. A China (onde as redes sociais e as ferramentas de buscas estrangeiras estão limitadas, ou são proibidas) tem os "BATX" - Baidu (ferramenta de busca), Alibaba (comércio eletrônico), Tencent (WeChat, vídeos sob demanda, jogos eletrônicos) e Xiaomi (smartphones).

Além disso, Pequim espera que o amplo projeto das "Novas Rotas da Seda" (um grande plano de infraestruturas da Ásia à África) convença os países participantes a utilizarem sua tecnologia.

Outra joia da coroa da China é o grupo de telecomunicações Huawei, que o governo dos Estados Unidos considera uma ameaça para sua segurança nacional.

A rivalidade tecnológica entre China e Estados Unidos se manifesta igualmente na Inteligência artificial e nas plataformas para objetos conectados.

- Patentes internacionais -

Em 2019, a China se tornou o país que apresenta mais pedidos internacionais de patentes, destronando os Estados Unidos, líder na classificação desde sua criação, em 1979, segundo a Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI).

- Grandes poluentes -

A China é o maior emissor mundial de gases causadores do efeito estufa, com 26,8%, seguida pelos Estados Unidos (13,1% das emissões).

Pequim se comprometeu a reduzir as emissões até 2030.

Washington havia se comprometido a reduzir as emissões até 2025 entre 26 e 28% na comparação com 2005, mas Donald Trump retirou o país do Acordo de Paris sobre o clima.

- Conquista espacial -

A China, que enviou o primeiro taikonauta ao espaço em 2003 e acaba de lançar sua primeira sonda em direção a Marte, investe bilhões de dólares no programa espacial.

Também lança satélites próprios de outros países com frequência. Em junho, concluiu a constelação de seu sistema de navegação Beidou, rival do GPS americano, e pretende criar uma grande estação espacial até 2022.

Já os Estados Unidos lançarão em 30 de julho o rover Perseverance rumo a Marte. Donald Trump ordenou à Nasa, a agência espacial americana, que antecipe o retorno dos EUA à Lua para 2024, em vez de 2028, e aprovou a criação de uma "força espacial", sexto braço do Exército americano.

- "Soft power" chinês na ONU -

A rivalidade entre chineses e americanos pesa no Conselho de Segurança da ONU, pois os dois países são membros permanentes com direito a veto.

A China desenvolve sua influência nas agências das Nações Unidas, aproveitando o recuo dos Estados Unidos estimulado por Donald Trump. Pequim envia cada vez mais Capacetes Azuis para as operações de paz e se tornou o segundo maior contribuinte financeiro da ONU, superada apenas por Washington.

Na Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), da qual Washington saiu e que tem como número dois o chinês Xing Qu, Pequim é o maior contribuinte líquido obrigatório.

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) é comandada pelo chinês Qu Dongyu, e a OACI, responsável pelo tráfego aéreo, é codirigida por seu compatriota Fang Liu.

Washington decidiu abandonar a Organização Mundial da Saúde (OMS), a qual acusa de adotar um tratamento favorável a Pequim na questão do novo coronavírus.


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