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Estado de Minas

Trégua de três dias no Afeganistão devido a festa religiosa


28/07/2020 17:19

Os talibãs decretaram nesta terça-feira (28) uma trégua de três dias devido à festa muçulmana do Aid al Adha, que acontece a partir de sexta-feira. O governo afegão ordenou que as forças de segurança cumpram esse cessar-fogo.

O presidente do Afeganistão, Ashraf Ghani, declarou que espera que as negociações de paz "diretas" com os talibãs sejam iniciadas "em uma semana".

É o segundo cessar-fogo por parte dos insurgentes em pouco mais de dois meses.

"Todos os mujahidines [combatentes talibãs] devem interromper qualquer operação contra o inimigo durante os três dias e noites do Aid al Adha", afirmou o porta-voz dos talibãs, Zabihullah Mujahid, em comunicado.

Mas alertou que qualquer ataque do "inimigo" envolverá o uso da força por parte dos rebeldes.

O governo afegão reagiu pouco depois e ordenou a "todas as forças de segurança e de defesa que respeitem o cessar-fogo", declarou um porta-voz do presidente Ghani.

No entanto, acrescentou, estas deverão "retaliar se os talibãs atacarem nossas forças ou o nosso povo".

"Para demonstrar o compromisso de nosso governo com a paz, a República Islâmica [do Afeganistão] terminará em breve de libertar 5.000 prisioneiros talibãs", afirmou o chefe de Estado em um discurso no palácio presidencial.

Ele disse que, com esse gesto, esperava "o início de negociações diretas com os talibãs em uma semana".

Ashraf Ghani também pediu aos insurgentes que aceitem "um cessar-fogo permanente e completo" durante o tempo que durarem as negociações destinadas a tentar acabar com quase 19 anos de guerra no Afeganistão.

"A bola está agora com os talibãs e com a comunidade internacional", afirmou.

- 3.500 soldados afegãos mortos -

A disposição de Cabul para iniciar as negociações de paz ocorre depois que os talibãs indicaram na semana passada que também estão dispostos a negociar, após a festa muçulmana.

Em virtude do acordo assinado pelos Estados Unidos e pelos talibãs em 29 de fevereiro, todas as forças estrangeiras devem se retirar do Afeganistão nos próximos meses, em troca de várias promessas de segurança por parte dos insurgentes.

As negociações deveriam ter começado à princípio em 10 de março, segundo o pacto. Mas foram prejudicadas por uma situação política confusa em Cabul e pelo impasse no processo de troca de prisioneiros.

Enquanto isso, os confrontos continuaram no país, com ataques quase diários dos talibãs contra as forças de segurança.

Desde a assinatura do acordo, 3.500 soldados afegãos e 775 civis morreram e 1.609 ficaram feridos, segundo o presidente Ghani.

A Missão de Assistência da ONU no Afeganistão culpou os talibãs por quase metade das vítimas civis durante a primeira metade de 2020 e atribuiu menos de um quarto às forças afegãs.

A violência, que desviou recursos vitais e a atenção da pandemia de coronavírus que assolou o país, também deixou centenas de crianças mortas e feridas.


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