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Estado de Minas

Lancha-veterinária atende no Delta argentino em plena pandemia


27/07/2020 13:42

É de manhã no porto de Tigre e uma veterinária coloca sua lancha-consultório em atividade para atender seus pacientes nas ilhas do Delta, no norte da província de Buenos Aires, em meio ao confinamento na Argentina.

Aos 27 anos, Leila Peluso navega cerca de 100 quilômetros por dia pelos rios e córregos do Delta do Paraná com o primeiro serviço móvel de veterinária no local, que depende do turismo e agora parece vazio.

A cerca de 30 minutos da capital argentina, onde em vez de ruas existem riachos e canais, os moradores do delta ficaram ainda mais isolados pelo confinamento iniciado em 20 de março.

"No Delta, estamos mais isolados, mas isso não significa que o vírus não tenha chegado, há casos, mas poucos", afirmou Peluso à AFP.

A Argentina registra mais de 160.000 casos e quase 3.000 mortes pela pandemia de coronavírus. Destes, 90% estão concentrados em Buenos Aires e sua periferia. O município de Tigre registra cerca de 1.900 casos de coronavírus e 32 mortes.

Nesse isolamento forçado, o trabalho de Peluso tornou-se "indispensável".

"As pessoas não podem levar o animal na lancha coletiva, agora há menos serviços devido à pandemia", explica.

As embarcações coletivas que ligam as ilhas passam vazias de passageiros. Somente trabalhadores essenciais têm permissão para usá-las.

Após cerca de vinte minutos de navegação, uma família a recebe para cuidar do cachorro em casa. Depois ela visitará mais três e cuidará de gatos, cães e uma cabra.

Com 14.000 quilômetros quadrados, o Delta do Paraná é o quinto maior do planeta e o mais populoso, com cerca de 20.000 habitantes permanentes.

Sua última porção antes da foz do Rio da Prata pertence ao município de Tigre e compreende uma rede fluvial de 350 rios e córregos.

Peluso tem a única clínica veterinária que percorre as ilhas.

"Eu sou a única que tem uma lancha preparada para atender na embarcação. Eu tenho uma maca, ultrassom, microscópio como se eu fosse uma clínica veterinária, mas na água", explica ela a bordo de sua lacha de sete metros de comprimento com cabine.

Nas ilhas, que representam 60% do território do município, vivem cerca de 6.000 habitantes permanentemente.

Em tempos normais, a população dobra de sexta a domingo com o afluxo de turistas e proprietários de casas de veraneio.

O ambiente natural e a distância entre as casas ajudam a criar alguma segurança.

"O que eu mais gosto são as pessoas das ilhas. Antes, sempre me esperavam com mate, comida caseira, me davam doces. Aqui, meu trabalho é mais descontraído e as pessoas são mais gratas".


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