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Estado de Minas

O que é o Haje, um dos pilares do Islã


27/07/2020 08:43

A peregrinação anual a Meca, cidade santa do oeste da Arábia Saudita, é um dos cinco pilares do Islã que todo fiel deve cumprir pelo menos uma vez na vida, se tiver os meios para isso. Este ano, o número de peregrinos será reduzido em razão da pandemia de coronavírus.

O chamado haje ocorre uma vez ao ano, no início do mês lunar muçulmano de "du l-hiyya". Já a pequena peregrinação, o umra, pode acontecer ao longo do ano todo.

As outras obrigações ritualísticas definidas pela lei islâmica, os "pilares da religião", são professar a fé, a oração, o jejum e o zakat (caridade).

Em 2019, o haje atraiu 2,5 milhões de fiéis. Este ano, as autoridades esperavam cerca de 2,7 milhões, mas finalmente apenas 10 mil foram autorizadas, segundo a imprensa saudita, já que a peregrinação pode ser um local de contágio importante do novo coronavírus.

- Etapas codificadas -

O haje inclui diversas etapas codificadas:

- "Ihram" (sacralização):

Quando chega a um perímetro fixado em torno de Meca, o fiel deve se purificar. Os homens podem vestir apenas tecidos brancos sem costura, enquanto as mulheres trajam roupas que cubram todo corpo, exceto mãos e rosto.

Os peregrinos não podem usar perfume, nem cortar os cabelos e as unhas. Devem se abster de qualquer discussão e de relação sexual.

- "Tawaf":

Ao chegar a Meca, o peregrino deve dar sete voltas na Caaba, prédio cúbico em torno do qual foi construída a Grande Mesquita e em cuja direção os muçulmanos rezam cinco vezes ao dia. Se for possível, toca e beija a pedra preta encrustada em uma das esquinas da Caaba.

- "Sa'i":

Em seguida, deve fazer sete vezes o percurso entre Safa e Marwa - dois lugares próximos da Grande Mesquita, separados por cerca de 400 metros - seguindo os passos de Agar, segunda esposa do profeta Abraham.

De acordo com a tradição muçulmana, ela transitou entre os dois lugares para buscar água para seu filho, o profeta Ismael, até que a fonte de Zamzam jorrou a seus pés.

Depois disso, o fiel vai até o vale de Mina, 5 quilômetros ao leste, onde deve pernoitar.

- Monte Arafat -

Ao amanhecer, os fiéis convergem no Monte Arafat, também conhecido como Montanha da Misericórdia, ponto culminante da peregrinação. A etapa do Monte Arafat é dedicada à oração e às invocações.

Foi no Monte Arafat que, segundo a tradição islâmica, o profeta Maomé pronunciou seu sermão de adeus aos muçulmanos que tinham-no acompanhado na peregrinação ao final de sua vida.

- Apedrejamento do Diabo -

No cair da noite, os peregrinos se dirigem a Muzdalifa para se prepararem para o Eid al Adha, a Festa do Sacrifício, que consiste em imolar um animal em memória de Abraão. Pela tradição muçulmana, este último quase imolou seu filho, Ismael, antes de o arcanjo Gabriel lhe propor, "in extremis", sacrificar um cordeiro em seu lugar.

Em seguida, os fiéis iniciam o apedrejamento das três colunas que representam o Diabo em Mina.

No primeiro dia, devem lançar sete pedras contra a maior das colunas. Nos dias seguintes, são 21 pedras contra as três, pequena, média e grande.

Em 2015, durante o ritual de apedrejamento, uma explosão matou cerca de 2.300 peregrinos.

O ritual termina com mais voltas em torno da Caaba.

A visita à cidade de Medina, onde se encontra o mausoléu do profeta Maomé, é facultativa e pode ocorrer antes, ou depois, do Hajj.

- Pré-islâmico -

A peregrinação se inspira em uma tradição anterior ao Islã, que remonta a Abraão, patriarca bíblico venerado por muçulmanos, judeus e cristãos. Na Caaba, ficam centenas de ídolos pré-islâmicos, destruídos em 630 por Maomé em seu retorno triunfal a Meca.


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