Jornal Estado de Minas

Cidade americana de Portland é palco de protestos contra racismo e polícia federal

Juntos, os balões que Devon Fredericksen segura durante uma manifestação em Portland formam o número "57", em alusão à quantidade de dias que duram os protestos na cidade, a maior do estado americano do Oregon.

O polêmico envio de agentes federais para as ruas de Portland, contra a vontade das autoridades estaduais, gerou indignação e denúncias por táticas abusivas e inconstitucionais contra os manifestantes.





O protesto majoritariamente pacífico desta quinta-feira (23) terminou, como vários anteriores, em confronto entre os manifestantes e a polícia.

O edifício do tribunal federal, ponto comum dos protestos, foi alvo dos manifestantes, que jogaram lixo e lançaram fogos de artifício, iniciando focos de incêndio. Agentes federais jogaram bombas de gás lacrimogêneo, usaram granadas ofuscantes e dispararam balas de borracha, após declararem a aglomeração ilegal.

Por volta da 1h30 local, os policiais saíram de trás da cerca de proteção e avançaram pela rua em direção aos manifestantes.

Embora muitas das pessoas que protestam em Portland tenham iniciado o movimento como parte de uma onda nacional antirracista e contra a violência policial desencadeada pelo assassinato de George Floyd no final de maio, alguns dizem que, agora, protestam por motivos diferentes.

Nesta quinta-feira, centenas de manifestantes gritavam o nome do movimento Black Lives Matter ("Vidas negras importam"), mas também pediam "Federais, vão para casa".

- Portland, grande e resistente -

Os protestos em Portland ligados diretamente à morte de Floyd começaram a perder força no início de julho. Mas foram divulgados relatos sobre agentes federais que prendiam os manifestantes e os levavam em veículos não identificados.





Ted Wheeler, o prefeito democrata da cidade, acusou estes policiais de iniciarem uma perigosa escalada da situação com táticas abusivas e inconstitucionais. Na última quarta-feira, quando Wheeler foi ao encontro dos manifestantes, ficou preso em meio ao gás lacrimogêneo. Wheeler, que usava óculos de proteção e máscara, descreveu o incidente como uma "categórica guerra urbana".

O presidente Donald Trump prometeu enviar agentes federais para outras cidades, como Chicago, para ajudar a combater o crescimento da violência com armas de fogo, mas autoridades locais alertaram que colocarão um limite, diante de uma implantação como a vista em Portland.

O órgão independente de controle do Departamento de Justiça anunciou ontem que irá investigar o uso da força por agentes federais em Portland e na capital dos Estados Unidos.