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Estado de Minas

Dois hongkoneses acusados de distúrbios em protestos são absolvidos


24/07/2020 10:13

Um casal de Hong Kong, preso em julho do ano passado durante protestos pró-democracia na ex-colônia britânica, foi considerado inocente nesta sexta-feira por "participar de um distúrbio", uma decisão que pode estabelecer jurisprudência para centenas de outras pessoas processadas pela mesma acusação.

Mais de 9.000 pessoas foram detidas após o início, em junho de 2019, de um movimento de protesto sem precedentes na região semiautônoma desde a sua devolução para a China em 1997.

Henry Tong, 39, e Elaine To, 41, foram acusados de "envolvimento em um distúrbio", um tipo penal que pode ser punido com até sete anos de prisão.

No entanto, o Tribunal Distrital decidiu na sexta-feira que não havia evidências de que o casal tivesse participado da manifestação ocorrida no dia de sua prisão.

O juiz Anthony Kwok considerou que essa suposição não podia se basear no simples fato de que os dois estavam vestidos com roupas pretas, como as usadas pelos manifestantes pró-democracia.

"O preto é a cor que muitos habitantes costumam usar", observou.

Os réus e suas famílias desataram a chorar com o anúncio do veredicto.

"Não vamos comemorar porque há muitos que aguardam uma decisão justa", disse Tong ao deixar a corte.

Ele e sua companheira foram libertados sob fiança em agosto e depois se casaram.

Essa decisão pode ser invocada por advogados para 600 outras pessoas acusadas de "participar de um tumulto" desde o ano passado.

A mobilização pró-democracia em Hong Kong, que surgiu em junho de 2019 em rejeição a um projeto de lei controverso para autorizar extradições para a China, se transformou em um protesto maior contra o papel de Pequim nos assuntos de sua região, que em teoria desfruta de grande autonomia até 2047.

As manifestações e ações quase diárias na cidade costumavam terminar com confrontos violentos entre manifestantes mais radicais e forças de segurança.

No mês passado, Pequim impôs uma polêmica lei de segurança em Hong Kong em resposta à tentativa de suprimir qualquer ato de "subversão" e penalidades consideravelmente mais severas.

O movimento pró-democracia apresenta o texto como o último golpe contra a semi-autonomia de Hong Kong.


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