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Estado de Minas

Pacientes no Paquistão apostam em arriscada transfusão de plasma


22/07/2020 10:31

A eficácia do tratamento da CODIV-19 com plasma não está comprovada, mas muitos paquistaneses desesperados arriscam a vida com essa transfusão, alimentando um mercado ilegal em expansão.

Muitos países, incluindo o Paquistão, lançaram testes para verificar se a transfusão de plasma sanguíneo de pessoas curadas poderia ajudar, com seus valiosos anticorpos, a eliminar o vírus mais rapidamente.

Mas alguns pacientes estão cada vez mais tentados a recorrer a clínicas particulares ou ao mercado negro, sem qualquer garantia sobre a origem ou a qualidade do produto sanguíneo.

"É o produto do desespero. Todo mundo quer acreditar que existe uma resposta" ao coronavírus, disse à AFP Fareeha Irfan, especialista em saúde pública do Paquistão.

"É fácil tirar proveito da credulidade de pessoas que não estão muito conscientes do que está acontecendo no mundo científico", acrescentou.

O Paquistão registra oficialmente cerca de 260.000 casos de coronavírus e 5.500 mortes. Mas os números reais são muito superiores, porque os testes são limitados.

A Sociedade Paquistanesa de Hematologia explicou que as informações que circulam sobre o plasma contribuíram para fazer com que a população e o pessoal médico acreditassem que esse tratamento já era comum.

"O uso de plasma de pessoas curadas pode causar reações potencialmente mortais ou até transmitir infecções", alertou a Sociedade.

Nawaz Murad, um estudante universitário de Lahore, diz que os médicos o aconselharam a tentar, como último recurso, o tratamento com plasma para seu pai que sofria da COVID-19, e cuja saúde se deteriorava rapidamente.

Em pânico, recorreu ele se voltou ao Facebook, onde encontrou um doador em poucas horas. E para evitar perder tempo, não foram feitos exames de sangue para descartar a presença de infecções como hepatite ou HIV.

"Tive que correr o risco. Não tivemos escolha a não ser fazer a transfusão o mais rápido possível. Não era uma situação normal. Era uma situação de intenso estresse para minha família", disse Murad.

O doador deu o plasma gratuitamente. Mas Murad pagou o equivalente a cerca de US$ 100 a um médico que fez a transfusão em casa. Algumas clínicas cobram até US$ 300.

Segundo o jurista Osama Malik, as autoridades provinciais e federais fecham os olhos para o fato de que centros não autorizados cobram um preço alto por essas transfusões.

"Os sete centros (oficiais de transfusão) não conseguem lidar com o alto número de pacientes desesperados", explicou à AFP.

O pai de Murad agora está melhor, e sua família atribui isso à transfusão.

Atualmente, não há certezas sobre o coronavírus, mas alguns estudos concluíram que as transfusões de plasma são úteis no combate a outras doenças infecciosas, como SARS ou Ebola.

Zoraiz Riaz Syed, que administra um grupo de sobreviventes do coronavírus no Facebook, diz que conectou mais de 750 pessoas a doadores de sangue.

Seu grupo "oferece uma plataforma centralizada para todo o Paquistão", diz ele, observando a falta de confiança da população no sistema de saúde precário do país.

Uma autoridade do departamento de saúde que supervisiona os ensaios clínicos oficiais de tratamento com plasma explicou que era "quase impossível" para as autoridades impedir transfusões fora dos centros autorizados.

Mas reconhece que há preocupação com o boom do mercado negro, onde os intermediários às vezes pedem até US $ 900 para a entrega rápida de plasma a pacientes críticos.

Por seu lado, o grupo do Facebook excluiu alguns membros que queriam vender seu plasma, o que é ilegal no Paquistão, de acordo com as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS).

O ministério da Saúde não respondeu às perguntas da AFP. O governo abriu uma linha telefônica para reclamações de pessoas que se viram obrigadas a pagar por uma amostra de plasma.


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