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Estado de Minas

Pequim e a tentação de utilizar a arma econômica contra o Reino Unido


21/07/2020 11:01

A China ameaçou o Reino Unido com "consequências" se Londres impuser sanções a Pequim devido à lei de segurança chinesa na ex-colônia britânica de Hong Kong.

Ambos os países já estão sob tensão desde a decisão do governo de Boris Johnson de interromper a participação da empresa chinesa Huawei na rede 5G britânica.

"Pequim não terá escolha a não ser atacar empresas britânicas como HSBC e Jaguar Land Rover", alertou, nesta terça-feira, o jornal chinês Global Times.

Veja alguns dos possíveis alvos de Pequim:

- Comércio bilateral -

A China poderia fechar suas fronteiras aos produtos britânicos, como fez com o salmão norueguês para punir Oslo por conceder ao dissidente chinês Liu Xiaobo o Prêmio Nobel da Paz.

No ano passado, o Reino Unido exportou US$ 38,7 bilhões em bens e serviços para a China, um número sem precedentes e em constante aumento nos últimos quatro anos, segundo o Bureau of Statistics do Reino Unido (ONS).

A China é o terceiro maior cliente do Reino Unido, depois da União Europeia e dos Estados Unidos. A balança comercial com Pequim teve um déficit de US$ 23 bilhões em 2019.

- Ouro contra telefonia -

O ouro (destinado principalmente para nanotecnologias), produtos petrolíferos, veículos e produtos farmacêuticos foram os produtos britânicos mais comprados pela China no ano passado.

Esses quatro setores foram responsáveis por 66% das exportações do Reino Unido, de acordo com o Serviço de Impostos e Alfândegas do Reino Unido (HMRC).

No setor de serviços, as atividades contábeis, jurídicas e de consultoria, além de turismo e transporte, foram as mais demandadas pela China em 2018.

Essas atividades reportaram cerca de US$ 3,5 bilhões ao Reino Unido.

Em 2019, o gigante asiático vendeu principalmente equipamentos de telecomunicações para o Reino Unido (cerca de 16% das compras britânicas, incluindo os famosos equipamentos 5G da Huawei), bens manufaturados, incluindo brinquedos e material de escritório.

- Empresas na mira -

Alguns grandes grupos dependem fortemente do mercado chinês. É o caso do laboratório farmacêutico Astrazeneca, que realiza 20% de seu faturamento na China, seu segundo mercado depois dos Estados Unidos.

O gigante asiático representa cerca de 20% das vendas das emblemáticas marcas de carros Jaguar e Land Rover, de propriedade da indiana Tata.

O banco Standard Chartered, que planeja investir US$ 40 milhões em três anos na China, realizou cerca de 40% de seu faturamento no país e na região do norte da Ásia no ano passado.

Seu concorrente HSBC, historicamente ligado à China - e que emprega 30.000 pessoas em Hong Kong - apoiou publicamente a controversa lei de segurança nacional na antiga colônia britânica.

- Educação e turismo -

Antes da pandemia de coronavírus, cerca de 120.000 chineses estudavam no Reino Unido, o que representou uma importante fonte de renda para as universidades britânicas.

Além disso, 880.000 chineses visitaram o Reino Unido em 2019, de acordo com o Escritório de Turismo do Reino Unido, Visitbritain.

Já no passado, e em um contexto de tensões crescentes com a Austrália, a China convidou seus turistas e estudantes a evitar esse destino, argumentando um surto de incidentes "racistas".

- Nuclear -

O Reino Unido possui uma importante arma de negociação com a possível aprovação concedida à CGN chinesa para a construção de uma usina nuclear, mas que já desperta a ira de vários políticos britânicos hostis a Pequim.

"O setor nuclear parece destinado a se tornar o próximo ponto de discórdia entre o Reino Unido e a China", estima o jornal econômico do Financial Times.


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