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Estado de Minas

UE vislumbra plano de recuperação após quatro dias de tensão


20/07/2020 16:43

O chefe do Conselho Europeu, Charles Michel, considerou nesta segunda-feira (20) ser "possível" um acordo para enfrentar a crise do coronavírus, antes de apresentar uma nova proposta que mantém o valor do fundo de recuperação e busca amenizar a resistência dos países "frugais".

"Os últimos passos são sempre os mais difíceis, mas, embora sejam difíceis ..., estou convencido de que um acordo é possível", disse Michel, sem especificar os detalhes de seu novo plano de consenso.

Segundo o documento, consultado pela AFP, o fundo de recuperação da União Europeia (UE) permaneceria nos 750 bilhões de euros (840 bilhões de dólares) propostos, mas com um novo balanço entre empréstimos e doações.

A Comissão Europeia emprestará dos mercados o montante do fundo, destinado principalmente aos países mais afetados pela pandemia, mas os 27 reembolsariam coletivamente os subsídios, que passam de meio bilhão a 390 bilhões.

Esse valor, abaixo do mínimo de 400 bilhões exigido por países como a França, mas acima do máximo de 350 bilhões exigido pela Holanda, Áustria, Suécia, Dinamarca e Finlândia, procura se aproximar do consenso necessário.

Depois de aceitarem com resistência o princípio de emitir dívida comum através de Bruxelas, esses países, adeptos do rigor fiscal e apelidados de "frugais", juntamente com a Finlândia, se apresentaram como os mais relutantes ao plano nos últimos quatro dias de negociações .

"Foram muitos [dias de negociação] porque, de fato, é um passo muito importante que a UE é chamada a dar para dar uma grande resposta" à crise, justificou o presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez.

Nesta difícil negociação de segunda-feira, Michel preferiu não reunir os 27 líderes ao mesmo tempo, priorizando pequenos grupos, prevendo uma cúpula recorde que pode superar a de Nice em dezembro de 2000.

- Para além do montante -

"Enquanto o valor do fundo de recuperação não for claramente definido, não poderemos avançar", disse uma fonte europeia, explicando que Michel aumentou no domingo a pressão sobre os "frugais", que "andavam em círculos há três dias".

Em uma tentativa de acalmar as nações ricas, o chefe do Conselho aumentou a redução de suas contribuições anuais ao orçamento comum da UE para o período 2021-2027, com negociações em andamento. Haia economizaria quase dois bilhões de euros por ano, por exemplo.

O debate também incluiu o Quadro Financeiro Plurianual 2021-2027, o primeiro orçamento comum sem o Reino Unido.

Michel manteve sua proposta do montante de 1,074 trilhão de euros.

Segundo um diplomata europeu, se o acordo sobre o montante puder ser confirmado, as negociações deverão se concentrar em outros aspectos, como clima, energias limpas e Estado de Direito. Este último ponto enfrenta relutância no leste.

Polônia e Hungria, bem como, em menor grau, Eslovênia, exigem que a concessão de fundos europeus não esteja vinculada ao respeito do Estado de direito. O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, alertou que essa negociação levará "tempo".

"Para que a Polônia aceite um compromisso", não deve haver "poder discricionário para as instituições da UE sobre o estado de direito", disse o primeiro-ministro polonês Mateusz Morawiecki a jornalistas nesta segunda-feira.

A cúpula é realizada sob pressão. Devido à pandemia, a economia mundial poderá contrair 4,9% em 2020, uma queda que sobe para 10,2% na zona do euro, e 9,4%, na América Latina e no Caribe, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI).


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