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Estado de Minas

Nova York espera se reinventar para superar a crise


20/07/2020 15:43

Remoções em série, desemprego, criminalidade em ascensão: a pandemia mergulhou Nova York em uma grande crise, para alguns preocupantes, embora para outros seja a oportunidade para essa cidade simbólica de dinamismo se reinventar.

"Estamos passando talvez por um dos momentos mais dolorosos e excepcionais da nossa história. Um momento de profunda mudança social", disse o prefeito Bill de Blasio na sexta-feira.

Com mais de 23.000 mortes, a capital econômica dos Estados Unidos foi a metrópole ocidental mais atingida pelo coronavírus até agora.

Apesar de uma queda dramática no número de mortos desde maio, o desconfinamento é limitado pelo medo de uma nova onda da pandemia, que piora a cada dia nos Estados Unidos.

O turismo está paralisado, as torres de escritórios praticamente desertas, muitas empresas fechadas e o desemprego afeta 20% da população economicamente ativa: quatro meses da COVID-19 causaram uma metamorfose nesta metrópole de 8,5 milhões de habitantes, sinônimo de multidões e consumo.

Embora as escolas planejem abrir em setembro, a prefeitura espera que sejam apenas dois ou três dias por semana de aulas, o que impedirá muitos pais de trabalhar normalmente.

A criminalidade, em queda constante desde meados dos anos 90, explodiu. As últimas estatísticas policiais mostram 634 tiroteios e 203 assassinatos desde janeiro, respectivamente 60% e 23% acima em relação ao mesmo período de 2019.

Alguns nova-iorquinos deixaram milhares de apartamentos vazios. Pela primeira vez em 10 anos, os aluguéis em Manhattan caíram no segundo trimestre (-0,9%), segundo o site imobiliário StreetEasy.

- "Houve epidemias piores" -

É "a combinação perfeita de más notícias", disse Kenneth Jackson, historiador de Nova York da Universidade de Columbia. Para esse professor que, no meio da pandemia, deixou a cidade e se mudou para o campo, a situação lembra o período sombrio dos anos 70 e 80, quando Nova York, financeiramente falida, sofria de criminalidade endêmica e via um êxodo maciço para uma periferia mais segura.

Mas, como muitos nova-iorquinos, ele se recusa a dramatizar a situação.

Nova York "teve epidemias piores que essa", disse ele, lembrando a cólera do século 19 ou os ataques de 11 de setembro de 2001, quando alguns "previram que as pessoas nunca mais trabalhariam em arranha-céus".

Os centros das cidades não são mais abandonados como na década de 1970: a fuga da classe média, principalmente branca, foi alimentada pelo racismo que agora está diminuindo, pelo menos entre os jovens, como mostram os recentes protestos do movimento Black Lives Matter.

Eva Kassen-Noor, planejadora urbana da Universidade de Michigan, acha que Nova York saberá como "se adaptar às realidades da pandemia".

Ela espera que a cidade, que se declara pioneira em meio ambiente, aproveite essa crise para redistribuir parte do espaço urbano em benefício de pedestres e ciclistas.

Algumas mudanças que os ativistas ambientais acreditavam impossíveis já são visíveis. O número de ciclistas explodiu com a pandemia e mais de 160 km de ruas foram ou serão fechados em breve para carros para dar mais espaço a pedestres, ciclistas e terraços de restaurantes.

Andrew, um empresário de 40 anos, vê a multiplicação dos terraços de restaurantes "uma imagem de otimismo": cerca de 9.000 foram abertas em poucas semanas, depois que a prefeitura simplificou as regras para compensar a proibição de comer em ambientes fechados.


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