Jornal Estado de Minas

Especialistas da ONU pedem que Irã não execute três manifestantes

Especialistas do Conselho de Direitos Humanos da ONU pediram ao Irã nesta quinta-feira que não execute três pessoas envolvidas nos protestos em novembro de 2019 e que lhes garanta um novo julgamento justo.

"Juntamos centenas de milhares de iranianos que condenaram essas penas capitais nas mídias sociais. Apelamos à justiça iraniana que revogue imediatamente essa decisão e inicie uma investigação independente", disseram 13 especialistas independentes da ONU em comunicado.



A Suprema Corte do Irã confirmou na terça-feira a pena de morte para os três homens, acusados, entre outros, de incendiar edifícios públicos durante os protestos.

Os três condenados, identificados como Amir Hosein Moradi, 26 anos, Said Tamdjidi, 28 anos, e Mohammad Radjabi, 26, "alegam ter confessado sob tortura" e não terem tido direito a um julgamento justo, especialistas apontam.

"Pedimos uma investigação independente e imparcial sobre essas alegações de tortura", acrescentaram os especialistas, que apontam que a pena de morte é uma "violação flagrante" das obrigações dos direitos humanos do Irã.

Em 15 de novembro de 2019, um movimento de protesto entrou em ebolição após o forte aumento no preço da gasolina em meio a uma crise econômica.

Delegacias foram atacadas, lojas saqueadas, bancos e postos de serviço incendiados.

As autoridades impuseram uma interrupção na Internet por uma semana.

Washington afirma que houve mais de 1.000 mortes na repressão aos protestos. Um grupo independente que trabalha para a ONU menciona 400 e as autoridades de Teerã 230.