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Estado de Minas

Rebeldes do Iêmen aceitam inspeção da ONU em petroleiro por grave risco de vazamento


postado em 12/07/2020 12:31

Os rebeldes huthis aceitaram a inspeção de uma equipe da ONU em um petroleiro abandonado na costa do Iêmen com uma carga de 1,1 milhão de barris, combustível que pode vazar e provocar uma tragédia no Mar Vermelho.

O "FSO Safer" está ancorado desde 2015 diante do porto de Hodeida, controlado pelos rebeldes huthis, que impediam até agora uma inspeção no navio por parte dos especialistas da ONU.

Apenas operações de manutenção foram realizadas no cargueiro desde o início da guerra, há mais de cinco anos, entre os huthis, apoiados pelo Irã, e o governo, respaldado por uma coalizão liderada pela Arábia Saudita.

"Eles aprovaram oficialmente uma visita ao navio de uma equipe de avaliação e reparo da ONU", declarou neste domingo uma fonte das Nações Unidas.

O petroleiro abandonado pode partir a qualquer momento e provocar um desastre ecológico sem precedentes, de acordo com especialistas internacionais.

O Conselho de Segurança da ONU organizará uma reunião especial em 15 de julho sobre o tema, depois que um vazamento foi detectado na sala de máquinas, "o que poderia levar a uma tragédia", afirmou Stéphane Dujarric, porta-voz do secretário-geral da ONU.

Dujarric explicou na sexta-feira que se os especialistas fossem autorizados a entrar no navio, eles pretendiam fazer pequenos reparos e determinar as próximas etapas.

"Esperamos a adoção rápida dos dispositivos logísticos para que o trabalho possa começar", completou.

O "Safer" pode provocar "o pior desastre ambiental a nível regional", advertiu o governo iemenita.

Um líder rebelde, Mohamed Ali Al Huthi, pediu em junho a garantia de que o navio seria reparado e que o valor do petróleo a bordo seria destinado aos trabalhadores huthis.

A carga está avaliada em 40 milhões de dólares, metade do valor calculado antes da queda do preço do petróleo. Alguns analistas afirmam que a quantia é inferior porque é um produto de qualidade ruim.

O primeiro-ministro do Iêmen, Main Abdelmalek Said, fez um apelo na quinta-feira à comunidade internacional para punir os huthis por terem bloqueado a inspeção da ONU. Também declarou que o valor do petróleo deveria ser destinado ao setor de saúde e a projetos humanitários.

Além da corrosão, os gases do combustível podem explodir nos tanques e um vazamento foi detectado em maio em um tubo de refrigeração.

"O tubo explodiu e enviou água para a sala de máquinas, criando uma situação realmente perigosa", disse Ian Ralby, presidente do IR Consilium, consultoria de questões marítimas que acompanha o caso.

Se o navio partir, "serão duas catástrofes", alertou Lise Grande, coordenadora humanitária da ONU para o Iêmen. "Haverá uma catástrofe ecológica sem precedentes e uma catástrofe humanitária porque o petróleo deixará o porto de Hodeida inutilizável", disse.

O grupo ambiental iemenita Holm Akhdar alertou que uma maré negra poderia se estender ao Golfo de Aden e ao Mar da Arábia.

A região precisaria de 30 anos para se recuperar e 115 ilhas no Mar Vermelho perderiam seus habitats naturais, de acordo com o grupo.


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