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Estado de Minas

Protesto em Belgrado contra gestão da pandemia resulta em violência


postado em 10/07/2020 22:55

A quarta noite de protestos contra a gestão da pandemia pelas autoridades sérvias resultou em violência nesta sexta-feira (10) em Belgrado, onde os manifestantes atiraram pedras, fogos de artifício e sinalizadores na direção das forças de ordem em frente ao Parlamento.

A maioria dos milhares de manifestantes eram pacíficos, mas alguns grupos de jovens, encapuzados na maioria, atiraram fogos e entoaram palavras de ordem e cânticos nacionalistas, proclamando a tutela sérvia de Kosovo, antes de pular as cercas de segurança e subir a escadaria que leva ao Parlamento, constataram jornalistas da AFP no local.

Quando a tropa de choque se interpôs, os agentes foram alvos de pedras e outros projéteis, fogos ensurdecedores e sinalizadores. A polícia montada, situada nos fundos do Parlamento, não interveio.

A maioria dos manifestantes se manteve afastada destes incidentes e alguns ajudaram a abafá-los, intervindo e reinstalando as cercas de segurança.

As forças de ordem, acusadas de terem agido com violência nos dois primeiros dias de protestos, não responderam aos projéteis e se afastaram do entorno do Parlamento, usando bombas de gás lacrimogênio.

As manifestações em Belgrado começaram na terça-feira, depois que o presidente Aleksandar Vucic anunciou a intenção de impor neste fim de semana um confinamento total à população porque as cifras de contágios voltam a subir no país dos Bálcãs, que tem oficialmente 370 mortes causadas pelo novo coronavírus.

Parte da população acusa o governo de subestimar o balanço, abandonar a população e fazer uma gestão incoerente da pandemia.

As autoridades sérvias impuseram em março um dos confinamentos mais estritos da Europa, antes de o presidente Vucic proclamar "vitória sobre o vírus" e suspender as medidas restritivas no país.

Aparentemente, os protestos são espontâneos, sem líderes e à margem dos partidos de oposição tradicionais. Os manifestantes estão unidos em seu repúdio a Aleksandar Vucic, apoiado por um amplo espectro político, que vai da esquerda à extrema direita.

Só a manifestação da quinta-feira foi pacífica. Os manifestantes tinham decidido em Belgrado e outras cidades responder sentando-se no chão a qualquer aumento da tensão.

- "Irresponsabilidade" dos manifestantes -

"Continuo sendo a favor de manifestações pacíficas porque violência gera violência", mas "acho que as circunstâncias mudaram e o povo agora está decidido a fazer com que estes governantes vão embora", disse Tijana Milojevic, de 30 anos, que participou dos protestos nesta sexta.

Em Novi Sad (norte), os manifestantes interromperam a rodovia, um ato que Aleksandar Vucic qualificou de "puro terrorismo" em declarações à emissora Pink TV.

O governo renunciou ao confinamento, mas proíbe as concentrações com mais de dez pessoas, o que na prática equivale a proibir as manifestações, e reduziu o horário de bares, lojas e outros estabelecimentos comerciais.

Nas últimas 24 horas, o país registrou 18 mortes e 386 novos contágios por COVID-19, informou a primeira-ministra Ana Brnabic, lamentando um "aumento dramático".

Aleksandar Vucic responsabilizou os manifestantes: "Chegamos (a esta situação) devido à irresponsabilidade daqueles que pedem para tomar as ruas", denunciou. "Imploro que as pessoas não saiam para se manifestar porque vão acabar pedindo ajuda aos médicos", disse.

Nestas manifestações, "nada é conforme a lei", insistiu o chefe de Estado.


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