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Estado de Minas

China e Reino Unido se enfrentam por Hong Kong e nova lei de segurança


postado em 02/07/2020 17:31

A China ameaçou nesta quinta-feira (2) tomar medidas de retaliação se o Reino Unido persistir em seu plano de conceder cidadania a milhões de habitantes de Hong Kong, em resposta à nova lei de segurança aplicada por Pequim.

A China enfrenta uma crescente onda de críticas do Ocidente depois de promulgar um texto altamente controverso na terça-feira que, segundo seus detratores, martela o último prego no caixão da semiautonomia da ex-colônia britânica.

A lei reprime a secessão, a subversão, o terrorismo e o conluio com forças externas.

Nesta quinta-feira, a influente Ordem dos Advogados de Hong Kong disse estar "profundamente preocupada" com a aprovação do texto.

Para o Reino Unido, a lei viola a autonomia de Hong Kong, devolvida à soberania chinesa em 1997, após um acordo que previa a autonomia judicial e legislativa do território por 50 anos.

Este regime, chamado "Um país, dois sistemas", deve, portanto, estar em vigor até 2047.

Com a nova lei, Londres planeja modificar as cláusulas do "passaporte britânico no exterior" para facilitar a instalação de titulares e suas famílias no Reino Unido.

Cerca de 350.000 pessoas de Hong Kong têm esse passaporte, um número que dobrou desde o início dos protestos pró-democracia há um ano.

Em princípio, 2,9 milhões de pessoas de Hong Kong, todas nascidas antes de 1997, teriam direito a esse documento. A decisão britânica irritou o governo chinês.

"Se a parte britânica fizer mudanças unilaterais violará sua própria posição e compromissos, assim como o direito internacional e as regras básicas que regem as relações internacionais", disse a embaixada chinesa em Londres em comunicado em seu site.

Nesta quinta-feira, o primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, disse que considerava "seriamente" oferecer refúgio aos residentes de Hong Kong.

Taiwan abriu um escritório para atender cidadãos de Hong Kong que desejam deixar o território. Nos Estados Unidos um projeto de lei para acomodar estes refugiados recebeu apoio maciço de republicanos e democratas.

- Influente ativista foge do território -

Um dos principais ativistas pró-democracia de Hong Kong, Nathan Law, anunciou nesta quinta-feira que fugiu do território chinês após a promulgação da lei de segurança nacional por Pequim.

"Saí de Hong Kong e continuarei meu ativismo em nível internacional", disse Law em uma breve mensagem em inglês enviada aos jornalistas, sem especificar seu paradeiro.

"Dados os riscos, não revelarei detalhes do meu paradeiro e situação atual", afirmou a mensagem.

Law é um dos fundadores do Demosisto, um partido pró-democracia que se dissolveu no início desta semana em resposta à lei de segurança.

O partido foi uma fortaleza da democratização em Hong Kong, mas nunca defendeu publicamente a independência, como afirma o regime de Pequim.

- EUA aprova sanções -

O Congresso dos Estados Unidos aprovou nesta quinta-feira uma lei que sanciona as autoridades chinesas que aplicam as novas regras de segurança contra Hong Kong, além dos bancos que cooperam com a violação da autonomia da ex-colônia britânica.

O texto deve ser promulgado pelo presidente Donald Trump, mas a Casa Branca não indicou se pretende validar ou vetar.

A China ameaçou com "fortes contramedidas" se a iniciativa se tornar lei.

O Senado de maioria republicana adotou a legislação com unanimidade, assim como a Câmara dos Deputados controlada pelos democratas na quarta-feira. Os críticos da lei temem que ela abra uma nova era de repressão política, à medida que textos semelhantes são aplicados para perseguir dissidentes na China continental.

Na opinião de muitos juristas, a lei é mais draconiana do que o esperado e não apenas para os habitantes da cidade.

Menos de 24 horas após sua entrada em vigor, a polícia fez na quarta-feira as primeiras detenções sob a lei, que permite ao sistema judicial chinês se encarregar de alguns crimes.

Das 370 pessoas detidas na quarta-feira, dez foram presas por suposta violação da lei de segurança nacional, quando milhares de habitantes de Hong Kong se reuniram para comemorar os 23 anos da devolução do território.

A manifestação foi proibida pelas autoridades pela primeira vez em 17 anos.

Muitos dos manifestantes carregavam bandeiras e símbolos que celebram a independência de Hong Kong.


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