Jornal Estado de Minas

Mortes por COVID-19 voltam a subir nos EUA e passam de 60.000 no Brasil

A Organização Mundial da Saúde (OMS) advertiu que a pandemia do novo coronavírus continua se acelerando, com uma nova onda de infecções nos Estados Unidos, com recorde de mais de 50.000 contágios em 24 horas, e seu avanço no Brasil, país que superou 60.000 mortes.



Os novos 52.898 casos elevaram a quase 2,7 milhões o total dos Estados Unidos (que também registra 128.000 mortes), o país mais afetado pela pandemia.

Desde o surgimento da doença em dezembro, na Chima, o mundo registra mais de 10,7 milhões de infectados - metade deles em junho -, e mais de 516.000 mortes, segundo contagem feita pela AFP com base em dados oficiais.

O Brasil, segundo país com mais pessoas diagnosticadas e falecidos, superou na quarta-feira a barreira de 60.000 mortes, no momento em que muitos estados flexibilizam as medidas de isolamento, apesar da propagação da doença não dar sinais de desaceleração.

Na última semana, houve pela primeira vez mais de 160.000 contágios diários no mundo, informou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, que voltou a preconizar o respeito às regras de distanciamento social, detecção e isolamento de pessoas contagiadas, assim como o uso de máscaras.



Conselhos que têm enfrentado resistências nos Estados Unidos e Brasil, onde os presidentes Donald Turmp e Jair Bolsonaro têm se mostrado reticentes às medidas de quarentena devido a seus impactos econômicos.

Nos EUA, nos últimos dias, voltaram a ser aplicadas algumas restrições, como o fechamento de praias e quarentena a viajantes de outros estados, às vésperas do fim de semana prolongado de 4 de julho.

O principal assessor da Casa Branca sobre a pandemia, Anthony Fauci, avaliou que as infecções poderiam alcançar as 100.000 diárias - mais que o dobro dos piores dias - se a tendência atual se mantiver.

No Brasil, nas últimas 24 horas foram registrados 46.712 novos casos e 1.038 óbitos, elevando o total de contagiados a 1,44 milhão e o de mortos a 60.632.

A pandemia não dá sinais de trégua no país, com uma população que beira os 212 milhões de habitantes, apesar de muitos estados flexibilizarem as medidas de isolamento.

Os especialistas acreditam, ainda, que o número real de infecções seja muito maior que o oficial, já que não são feitos diagnósticos sistemáticos na população.



"Existem vários Brasis. Em alguns lugares, a pandemia está recuando, em outros, está aumentando. Agora está indo para o interior", disse à AFP Roberto Medronho, diretor da Divisão de Pesquisa do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

O Congresso brasileiro adiou na quarta-feira as eleições municipais de outubro para novembro.

Tanto os Estados Unidos quanto o Brasil foram excluídos da lista de 15 países aos quais a União Europeia abriu suas fronteiras nesta quarta-feira. A lista tampouco inclui o Reino Unido ou a Rússia, enquanto o Uruguai é o único representante de América Latina.

A região é há semanas o epicentro da pandemia.

O México anunciou na quarta-feira que o balanço do país subiu para 28.510 vítimas fatais - o país superou o número de mortes da Espanha, um dos países mais afetados pela COVID-19.

Em seu último balanço, a Colômbia superou os 100.000 contágios, somando 4.163 casos nesta quarta-feira, enquanto as mortes totalizaram 3.470.



Na Argentina, Buenos Aires voltou à fase mais restritiva do confinamento iniciado em 20 de março, em um momento de esgotamento da população e de temores crescentes sobre a economia, em recessão desde 2018.

O Peru, ao contrário, viveu seu primeiro dia de desconfinamento gradual para reativar sua atividade semiparalisada de três meses e meio de quarentena nacional obrigatória.

Assim como no Peru, que decidiu manter sua emblemática cidadela inca de Machu Picchu e suas fronteiras fechadas, o turismo sofrerá um duro golpe na América Latina e no Caribe, advertiu o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) em um estudo.

Para tentar abrandá-lo, a República Dominicana reabriu suas fronteiras nesta quarta-feira e autorizou o funcionamento de aeroportos e hotéis.

- Dia da Independência sem festa nos EUA -

Os Estados Unidos se preparam para celebrar um Dia da Independência com a maioria dos eventos cancelados.

Enquanto o governador da Califórnia, Gavin Newsom, anunciou que nas próximas três semanas deixarão de operar restaurantes em espaços fechados, cinemas, bares e outros comércios de Los Angeles e 18 condados.



E em Nova York, o prefeito Bill de Blasio adiou a reabertura prevista de salões de restaurantes até segunda ordem.

- Europa abre temporada -

A UE espera conseguir algum oxigênio para o turismo, asfixiado pela proibição a viagens não essenciais desde março.

Nesta quarta, donos de hotéis e restaurantes viram o retorno dos primeiros turistas, especialmente nas ilhas da Grécia, país que registrou 200 mortos pelo novo coronavírus, mas cuja economia foi muito abalada.

Romanian Cojan Dragos foi o primeiro em um hotel de Corfu. "Está vazio, não há um único turista, os restaurantes, as lojas estão fechadas, é triste", disse à AFP.

Espanha e Portugal reabriram sua fronteira terrestre, fechada desde 16 de março.

Enquanto isso, os viajantes procedentes da China, onde o vírus surgiu, só poderão entrar no bloco se Pequim adotar a reciprocidade.