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Estado de Minas

Israel aguarda anúncio de Netanyahu sobre projeto de anexação da Cisjordânia


postado em 01/07/2020 06:31

Os israelenses aguardam nesta quarta-feira notícias do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu sobre seu polêmico projeto de anexação de zonas da Cisjordânia, que poderia deslocar as "fronteiras" do país pela primeira vez em décadas, sob o risco de exacerbar as tensões regionais.

Israel anexou Jerusalém Oriental em 1967 e as Colinas de Golã em 1981.

O país escreverá em 2020 uma nova página de sua história decretando que uma parte da Cisjordânia ocupada passa a ser "israelense"?

Pelo acordo entre Netanyahu e seu ex-rival eleitoral Benny Gantz, o governo de união se pronuncia a partir desta quarta-feira sobre a aplicação do plano do presidente americano Donald Trump para o Oriente Médio, que prevê a anexação de colônias e do Vale do Jordão na Cisjordânia.

Netanyahu optará por anexar o Vale do Jordão uma vasta planície, e uma centena de colônias judaicas na Cisjordânia, ou vai escolher uma abordagem minimalista, acrescentando a seu território alguns assentamentos?

Outra pergunta: o primeiro-ministro tomará uma decisão nesta quarta-feira, ao longo da semana ou nos próximos meses?

O primeiro-ministro dispõe de uma margem de alguns meses porque uma vitória em novembro na eleição presidencial dos Estados Unidos, principal aliado de Israel, do democrata Joe Biden, contrário à anexação, poderia aniquilar o apoio estrangeiro ao projeto, criticado pela União Europeia, ONU e os países árabes.

Na terça-feira, em Jerusalém, Netanyahu conversou com Avi Berkowitz, assessor especial de Trump, e David Friedman, embaixador americano em Israel, sobre a "soberania" de Israel na Cisjordânia, o termo utilizado pelo Estado hebreu para fazer referência à anexação.

Netanyahu disse que estava trabalhando nos últimos dias no tema e que continuaria "nos próximos dias", sem revelar o conteúdo das discussões ou suas intenções.

O chefe da diplomacia israelense, Gabi Ashkenazi, afirmou nesta quarta-feira que parece "improvável que aconteça hoje", em uma entrevista à rádio militar.

"Estou convencido de que acontecerá, mas não amanhã (quarta-feira)", declarou na terça-feira Tzachi Hanegbi, ministro sem pasta, mas considerado muito próximo de Netanyahu.

A partir desta quarta-feira o cronômetro está ligado, afirmou o ministro da Água, Zeev Elkin, que considera equivocada a ideia de que tudo acontecerá em 1º de julho.

Os palestinos, categoricamente contrários ao plano de Trump e ao projeto de anexação israelense, convocaram manifestações para esta quarta-feira no Vale do Jordão, em Ramallah, sede da Autoridade Palestina, na Cisjordânia e na Faixa de Gaza, um território controlado pelo movimento islamita Hamas.

Qualquer anexação, sem negociações prévias de paz, seria uma "declaração de guerra", afirmou recentemente o Hamas, que, depois de protagonizar três guerras com Israel (2008, 2012, 2014), tenta expressar sua oposição ao projeto sem buscar um novo confronto, de acordo com vários analistas.

Nesta quarta-feira, o Hamas lançou 20 foguetes de teste a partir de Gaza em direção ao mar Mediterrâneo, como forma de advertência, afirmaram à AFP fontes do movimento.

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