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Estado de Minas

Boeing 737 MAX inicia testes para voltar a voar


postado em 29/06/2020 17:19

O primeiro voo para nova certificação do Boeing 737 MAX decolou de Seattle nesta segunda-feira (29), informou a Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA), em um primeiro passo para que essa aeronave possa voltar a ser usada mais de um ano após dois acidentes fatais.

O avião decolou às 16H55 GMT (13h55 de Brasília) de uma pista da Boeing em Seattle, segundo um porta-voz da FAA, indicando que o exercício duraria "várias horas", e que vários voos ocorrerão ao longo de três dias.

Os exercícios "terão uma ampla gama de manobras e procedimentos de emergência para avaliar se as mudanças atendem aos padrões de certificação da FAA", anunciou o porta-voz.

Esse modelo de aeronave está fora de uso desde 13 de março de 2019, após o acidente da Ethiopian Airlines no qual 157 pessoas morreram. A queda ocorreu após alguns meses do Lion Air MAX cair em Mar de Java, causando 189 mortes, em outubro de 2018.

As semelhanças preocupantes entre os dois acidentes, que ocorreram logo após a decolagem e o informe de que os pilotos não conseguiriam manobrar o avião, levaram as autoridades aeronáuticas de todo o mundo a suspender o uso desse modelo.

Há meses, a Boeing trabalha para que sua aeronave - usada para percursos de média distância e cujas vendas eram sua principal fonte de receitas - volte a voar.

Nos dois acidentes, as investigações apontaram para o aplicativo antibloqueio MCAS, mas também foram detectadas irregularidades no sistema de cabos, quando a empresa trabalhava nas modificações da aeronave, o que adiou o processo de retorno ao serviço.

Há semanas, a fabricante esperava a luz verde das autoridades para poder iniciar os voos de testes.

O mercado parecia otimista sobre os exercícios e pouco após o início do exercício, às 17h10 GMT (14h10 de Brasília), mas ações da Boeing - um ator-chave da economia americana - operavam em alta de 10%.

As autoridades aeronáuticas devem testar as modificações feitas no avião, observando seu comportamento em voo e analisando também milhares de dados sobre o trajeto.

No entanto, a FAA já advertiu que estes testes não serão suficientes, já que o regulador foi acusado, após os dois acidentes, de uma relação estreita demais com a fabricante e atualmente há várias investigações em andamento, inclusive uma no Congresso americano.

Para a Boeing, voltar a voar com esta aeronave é uma necessidade imperativa para deixar para trás uma crise histórica que derrubou seus balanços, já que este modelo representa dois terços de suas encomendas.

No fim de abril, o grupo anunciou a demissão de 10% de seus funcionários, o equivalente a 16.000 postos de trabalho. A agência de classificação de risco S&P; reduziu sua nota creditícia de A- a BBB, situando a empresa a um degrau da categoria especulativa.

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