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Estado de Minas

Garimpeiros matam dois Yanomami em Roraima, denuncia grupo de DH


postado em 27/06/2020 00:55

Garimpeiros que se dedicam à extração ilegal de ouro mataram dois homens da etnia indígena Yanomami na Amazônia brasileira, informou nesta sexta-feira (26) um grupo de defesa de direitos humanos, alertando que o incidente poderia escalar para um "círculo de violência".

Os Yanonami, conhecidos por tingir e perfurar o rosto, permaneceram isolados do mundo até a segunda metade do século XX e alguns continuam vivendo no interior da floresta.

O tiroteio mortal ocorreu no começo de junho, mas os informes chegaram esta semana à Polícia no norte do estado de Roraima, quando um homem que acompanhava a esposa em um hospital de Boa Vista, capital do estado, contou a história às autoridades, informou a Associação Hutukara Yanomami (HAY).

O incidente parece seguir um padrão que se dá com frequência no território Yanomami desde a década de 1980, em que os garimpeiros oferecem inicialmente aos indígenas comida e bens da cidade para depois adentrar cada vez mais em sua reserva sem lhes dar nada mais, o que provoca conflitos.

"Tememos que os familiares dos Yanomami assassinados decidam retaliar contra garimpeiros, seguindo o sistema de Justiça da cultura Yanomami, podendo levar a um ciclo de violência que resultará numa tragédia", manifestou-se o grupo em um comunicado.

Os Yanomami têm um longo histórico de conflitos com garimpeiros.

Juntamente com doenças como a malária e o sarampo, os conflitos dizimaram a população Yanomami, que atualmente é de cerca de 27.000 pessoas.

"O assassinato de mais dois Yanomami pelo garimpo deve ser investigado com rigor, e reforça a necessidade de o Estado brasileiro agir com urgência para retirar imediatamente todos os garimpeiros que exploram a Terra Yanomami ilegalmente assediando e agredindo as comunidades indígenas que ali vivem", acrescentou o grupo.

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