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Estado de Minas

Iraque prende combatentes pró-iranianos por ataques anti-EUA


postado em 26/06/2020 13:25

O Iraque prendeu nesta sexta-feira perto de Bagdá combatentes de uma facção iraquiana pró-iraniana por dispararem foguetes contra interesses americanos, fato sem precedentes em um país sob a influência de dois inimigos declarados, o Irã e os Estados Unidos.

Desde outubro passado, pelo menos 33 ataques foram cometidos contra soldados ou diplomatas americanos no Iraque. O governo iraquiano anterior mal condenou esses ataques e alegou que não foi capaz de encontrar os responsáveis.

Mas desta vez a situação preocupa o novo governo do primeiro-ministro Mustafa al Kazimi, no poder há dois meses, que prometeu firmeza diante desses eventos.

Para Washington e especialistas, os responsáveis por esses ataques são as facções radicais pró-Irã. Em particular, as Brigadas do Hezbollah, consideradas a "terceira força" do "eixo iraniano" no Oriente Médio, atrás da Guarda Revolucionária iraniana e do Hezbollah libanês, devido ao número e à preparação militar de seus milicianos.

Uma fonte do governo e duas autoridades de segurança disseram que 14 homens foram presos em um bairro ao sul da capital, onde mantinham várias plataformas de lançamento de foguetes.

A operação foi realizada por unidades de elite de combate ao terrorismo iraquiano, consideradas próximas aos Estados Unidos.

Segundo essas fontes, os 14 detidos pertenciam às Brigadas do Hezbollah, a facção pró-iraniana mais radical do país.

No entanto, o exército iraquiano se referiu a essas prisões, mas sem mencionar a afiliação dos combatentes presos.

As Brigadas do Hezbollah têm um pé no Estado iraquiano e outro fora: embora operem - como na Síria - fora do controle estatal, fazem parte da Hashd Al-Shaabi, uma coalizão de paramilitares pró-Irã integrada às forças de segurança regulares do Iraque.

A Hashd, que lutou contra o grupo Estado Islâmico (EI) junto com as tropas iraquianas e a coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos, tornou-se uma instituição essencial, que tem dezenas de milhares de combatentes e o segundo maior bloco parlamentar no Iraque.

A Hashd afirma não ter relação com aqueles que disparam foguetes.

Em contrapartida, as Brigadas do Hezbollah elogiam - sem reivindicar - esses ataques contra as "forças de ocupação" americanas e britânicas.

Após as prisões desta sexta-feira, um dos porta-vozes das Brigadas, Abu Ali al Askary, ameaçou, em um comunicado: "O monstro Kazimi quis (...) fazer uma nova oferenda aos padrinhos americanos".

"Estamos prontos", acrescentou.

As tensões entre os Estados Unidos e o Irã, que disputam a influência no Iraque, aumentaram nos últimos meses. O assassinato no início de janeiro do general iraniano Qassem Soleimani em Bagdá, bem como o do iraquiano Abu Mehdi Al Muhandis, chefe de operações da Hashd, levantou temores de um conflito aberto.

Desde então, o Iraque adotou um novo governo, supostamente mais próximo dos Estados Unidos. Hashd também apoiou a formação do governo de Kazimi para lidar com a pior crise econômica do país.

E a prova de que Kazimi está disposto a cooperar com um Hashd que reconhece sua autoridade é o fato de que os 14 detidos foram entregues para interrogatório nos temíveis serviços de segurança da Hashd, de acordo com um de seus funcionários.


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