A Câmara de Representantes dos Estados Unidos vota nesta sexta-feira (26) para tornar a capital, Washington DC, o 51º estado do país, uma reivindicação histórica que deve se limitar a uma conquista simbólica, uma vez que é improvável que o Senado de maioria republicana a apoie.
"Há mais de dois séculos, foi negado aos residentes de Washington DC seu direito de participar plenamente da democracia e (...) corrigiremos essa grave injustiça", disse a presidente da Câmara de Representantes e líder democrata no Congresso, Nancy Pelosi, em um evento na quinta-feira (25) com a prefeita do distrito federal, Muriel Bowser.
Mais de 705.000 americanos vivem em Washington, DC, uma fortaleza democrata com uma população maior que dois estados no país, Wyoming e Vermont.
Cerca de 45% dos residentes da capital federal são negros, uma proporção maior do que em qualquer estado do país.
Bowser disse que os moradores de Washington pagam impostos, servem nas Forças Armadas, administram negócios e criam filhos, e ainda são privados de seus direitos, porque não têm representação eleitoral no Congresso.
"Este é um erro histórico. Deve ser corrigido", afirmou a prefeita.
"Nasci aqui sem voto (no Congresso), mas juro que não morrerei aqui sem voto", acrescentou.
A questão de tornar Washington um estado não é votada na Câmara de Representantes desde 1993, e esta sexta-feira pode ser a primeira vez que será parcialmente aprovada no Congresso.
Os estados de Maryland e Virgínia cederam terras na década de 1780 para a criação de uma capital federal ao longo do rio Potomac. Washington, distrito de Columbia, tornou-se a capital permanente dos Estados Unidos em 1790.
Se essa iniciativa for aprovada, o novo estado será chamado Washington Douglass Commonwealth, com o nome do primeiro presidente do país, George Washington, e do proeminente abolicionista negro Frederick Douglass.
É altamente improvável que isso aconteça por enquanto.
O presidente Donald Trump manifestou sua oposição ao estado de Washington DC, e os republicanos que controlam o Senado devem ignorar a medida.
Trump também entrou em confronto várias vezes com Bowser por causa dos protestos após o assassinato do afro-americano George Floyd no mês passado pela polícia branca em Minneapolis.
Depois que Trump enviou agentes da segurança federal para dispersar à força manifestantes contra o racismo e a brutalidade policial em frente à Casa Branca, muitos disseram que havia chegado a hora de Washington ter a mesma autonomia que os demais estados para decidir sobre essas questões.
O legislador de Maryland Steny Hoyer, um dos principais democratas da Câmara de Representantes, disse que seria "antiamericano" não apoiar o fim da privação de direitos de tantos cidadãos.
"Cidadania parcial não é uma opção", disse ele.