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Estado de Minas

Trump sob ataque de várias frentes a cinco meses da eleição presidencial


postado em 18/06/2020 20:25

A menos de cinco meses das eleições nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump enfrenta crises em várias frentes e está atrás de seu adversário democrata nas pesquisas, enquanto sua forma de governar é severamente questionada por um livro e acumula derrotas na justiça.

O retorno da campanha oferece, no entanto, uma chance de recuperação.

A candidatura de Trump a um segundo mandato, que antes da pandemia do coronavírus parecia estar cada vez mais forte, está atualmente repleta de obstáculos, em parte por causa de sua própria administração da crise de saúde e dos enormes protestos contra a brutalidade policial e racismo.

Agora, o presidente deve enfrentar um intenso ataque de suas próprias fileiras, lançado por seu ex-conselheiro de segurança nacional John Bolton.

"Não acho que seja apto para o trabalho. Acho que não tem competência para fazer o trabalho", disse Bolton à ABC News, que promove o "The Room Where It Happened" (ainda sem tradução para o português), um livro cuja publicação programada para a próxima terça-feira, a Casa Branca está tentando impedir através da justiça.

No livro, Bolton alega que Trump pediu ajuda ao presidente chinês Xi Jinping para sua reeleição, que obstruiu a justiça, e que não o considera um adversário à altura do presidente russo Vladimir Putin.

Trump se defendeu chamando Bolton de "cacchorro doente" e seu livro de "pura ficção".

- Cortar laços com China

Em uma aparente tentativa de enfatizar sua postura dura, Trump ameaçou através do Twitter "cortar completamente" as pontes com a China, um país cuja economia está profundamente entrelaçada com os Estados Unidos.

No dia anterior, o representante comercial dos Estados Unidos Robert Lighthizer, que gerencia as relações comerciais com Pequim, disse no Congresso americano que essa opção seria inviável.

Atualmente, a China é um dos alvos preferido de Trump em todas as frentes.

O presidente americano, que se esquivou de sua responsabilidade pela rápida disseminação do coronavírus, que até agora matou mais de 117.000 pessoas no país e forçou uma desaceleração econômica traumática, culpou a China pelo surgimento do vírus.

Quanto aos protestos de rua, ele disse que é uma rebelião orquestrada pela esquerda, rejeitando pesquisas segundo as quais o problema reside no racismo sistêmico que afetaria a sociedade americana.

Bolton, no entanto, é diferente.

O ex-conselheiro presidencial é um falcão republicano, que dedicou toda a sua vida à política externa.

Pode-se dizer que sua posição política está à direita de Trump e que, portanto, não é vulnerável aos ataques habituais do presidente.

Por outro lado, Trump sofreu dois contratempos em uma semana na Suprema Corte.

Na segunda-feira, o mais alto órgão judicial do país consagrou o direito de milhões de funcionários de gays e transgêneros a usufruir de mecanismos de combate à discriminação e na quinta-feira validou as proteções acordadas pelo governo anterior com 700.000 jovens migrantes.

- De volta à estrada -

No sábado, Trump voará para Tulsa, Oklahoma, para celebrar seu primeiro comício de campanha desde o início da pandemia em março.

Com sua experiência em programas de televisão e seu estilo populista natural, Trump se sente mais à vontade diante das multidões do que nos cenários formais da Casa Branca.

O presidente está "muito animado para voltar à estrada", disse sua assessora Kellyanne Conway a repórteres na quarta-feira.

Trump espera que as 20.000 pessoas que devem ir ao comício deem um novo impulso à sua candidatura à reeleição, muito ameaçada pelo democrata Joe Biden, que está claramente liderando as pesquisas.

Apesar do fato de os americanos estarem saindo muito lentamente do confinamento, a campanha do magnata republicano já está planejando outros eventos públicos.

Mas Trump terá que tomar cuidado para não entrar na história como o presidente que colocou os eventos políticos acima da vida humana.

Tulsa está registrando um aumento acentuado nos casos de coronavírus, e o principal jornal da cidade, a autoridade estadual de saúde e muitos outros alertaram que uma grande multidão em um espaço fechado pode se tornar uma incubadora do vírus.

Uma ação movida em um tribunal de Tulsa que tentava impedir o ato o chamou de "superpropagador" do coronavírus.

A campanha de Trump diz que o público será submetido a controles de temperatura e que as máscaras serão distribuídas.

"Será um ato muito seguro e estamos muito, muito empolgados", disse o republicano Kevin Stitt, governador de Oklahoma.

No entanto, é revelador que os participantes são obrigados a assinar uma declaração isentando os organizadores da responsabilidade no caso de contraírem a COVID-19.

O evento de Tulsa estava marcado para a sexta-feira, 19, mas por ser a data do aniversário da abolição da escravidão nos Estados Unidos, o comício foi remarcado para o sábado.

Em meio a crescentes tensões raciais e raiva de grupos de direitos civis devido à repressão aos manifestantes, esse erro da campanha de Trump foi visto pelos analistas como sintomático de seu distanciamento da realidade.


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