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Estado de Minas

Ceticismo e rumores frente a coronavírus fazem aumentar número de mortes no Haiti


postado em 10/06/2020 17:07

Leitos desocupados e material armazenado: meios não faltam para lutar contra o novo coronavírus no Haiti, mas muitos pacientes chegam tarde demais ao hospital, duvidando da gravidade do vírus ou assustados com os rumores de injeções letais sendo aplicadas em pacientes com a doença.

"Os sintomas respiratórios são observados em muitos dos nossos cidadãos. É importante que se conscientizem de que a doença existe", repete o médico Erneau Mondésir. Pouco mais de dois meses depois do registro dos primeiros casos no Haiti, a negação em que se encontra a maioria da população preocupa os funcionários da área de saúde.

Na comunidade carente de Cité Soleil, a Médicos sem Fronteiras (MSF) abriu um hospital com 45 leitos reservado a pacientes com Covid-19. Duas semanas após a abertura, ele está longe de lotar.

- Internação tardia -

"Muitas pessoas ficam em casa por muito tempo e chegam tarde ao hospital, o que faz com que o tratamento possa não ser mais eficaz", lamenta Mondésir, antes de vestir o equipamento de proteção. O som dos respiradores e monitores cardíacos marca a atmosfera da UTI, onde apenas três dos 10 leitos estão ocupados.

"Estes são pacientes muito graves, que já chegam em coma ou com complicações", explica o anestesista Antonio Plessy em frente ao box onde está internado um idoso inconsciente.

Segundo a última avaliação oficial, divulgada esta semana, 3.662 dos 11 milhões de habitantes do Haiti testaram positivo e 56 morreram. Mas autoridades reconhecem que estes números não representam a situação real, devido ao baixo número de testes realizados.

Em um país dominado pela economia informal, o confinamento da população é impossível. E impor o distanciamento social nos mercados abarrotados da capital é ilusório. Até mesmo exigir o uso de máscara, obrigatória em locais públicos, é difícil. Em meio a este cenário, os médicos temem um agravamento da epidemia.

- Febre leve -

Foi apenas porque sofreu um acidente de moto e fraturou a perna que Jonel Cadet soube que estava infectado. "No hospital, tive uma febre leve, que diminuiu rapidamente. Mas eles me passaram algo pelo nariz, algo pela garganta e, depois, disseram que eu estava infectado", conta o jovem, 25, que antes de ser levado para o hospital da MSF não acreditava na doença.

"Foi quando vim para cá que realmente acreditei, porque vi pessoas em seu pior momento", diz Jonel, que precisou convencer os familiares a deixar que ele recebesse atendimento médico, uma vez que no Haiti, além do ceticismo generalizado, corre o rumor de que uma injeção administrada nos centros dedicados a pacientes com Covid-19 seria letal.

"Meu irmão achava que fossem me matar no hospital. Respondi que era Deus quem decidia. Tenho que dizer: ninguém mata as pessoas nos hospitais", comenta o jovem, que recebeu alta após mais de duas semanas de internação.


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