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Estado de Minas

Forças líbias pró-governo lançam operação para recuperar Sirte


postado em 06/06/2020 14:31

As forças do governo de União Nacional da Líbia (GNA) lançaram uma operação para recuperar a cidade de Sirte das mãos de tropas rivais de Khalifa Haftar, depois de terem obtido uma série de sucessos no conflito entre ambos os lados - anunciou um porta-voz.

Cidade costeira a 450 quilômetros ao leste de Trípoli, a capital, Sirte é uma passagem estratégica entre o leste e o oeste da Líbia.

Com sede em Trípoli e reconhecido pela ONU, o GNA anunciou na sexta-feira que assumiu o controle do oeste do país, depois de expulsar as forças pró-Haftar de Tarhuna, seu último feudo nesta região.

"Foram dadas ordens para nossas forças avançarem e atacarem com força todas as posições dos rebeldes em Sirte", disse o porta-voz das forças pró-GNA, Mohamad Gnounu, referindo-se às forças do marechal Haftar, o homem forte do leste.

"A Força Aérea realizou cinco ataques nos arredores de Sirte", acrescentou Gnounu, em um comunicado no Facebook.

Em janeiro, os pró-Haftar assumiram o controle de Sirte, cidade natal do ex-líder Muammar Khaddafi, derrubado e morto em uma rebelião em 2011.

- Cessar-fogo -

Do Cairo, Haftar apoiou um cessar-fogo na Líbia previsto para entrar em vigor a partir de segunda-feira, anunciou o presidente egípcio, Abdel Fatah al-Sissi, após conversas na capital egípcia.

"Esta iniciativa exige o respeito de todos os esforços e iniciativas internacionais, ao declarar um cessar-fogo a partir das 6h de segunda-feira, 8 de junho de 2020", disse o presidente Al-Sissi em entrevista coletiva com Haftar.

O porta-voz das forças do GNA se mostrou, porém, reticente quanto a esta iniciativa.

"Não começamos esta guerra, mas somos nós que decidimos onde e quando termina", frisou Gnunu.

"Há quatro meses, pedimos aos decanos e aos notáveis de Sirte que recuperem a razão e salvem a cidade do horror da guerra (...) Hoje lançamos um último apelo", acrescentou.

As forças de Haftar explicaram que seus recentes reveses foram, na verdade, uma resposta à pressão internacional para alcançar um cessar-fogo.

"Atendendo aos apelos das principais potências e das Nações Unidas por um cessar-fogo nos retiramos a 60 quilômetros das fronteiras da Grande Trípoli [cidade e periferia]", disse o porta-voz Ahmad al-Mesmari.

"Pedimos aos países amigos e às Nações Unidas garantias de que a outra parte e os invasores turcos se abstenham de nos atacar", acrescentou, em entrevista coletiva na noite de sexta-feira.

No início da semana, a missão das Nações Unidas na Líbia anunciou que, após mais de três meses de suspensão, as partes envolvidas no conflito concordaram em retomar as negociações de cessar-fogo.

Desde 2011, a Líbia está mergulhada na violência, após a queda de Khadafi, e agora está nas mãos de governos rivais que disputam o poder.

A ONU pediu às potências estrangeiras que cumpram um acordo firmado em janeiro, em Berlim, para pôr fim às ingerências no país e para manter o embargo de armas, violado em diferentes ocasiões.

O GNA tem o apoio da Turquia e do Catar, enquanto Haftar é apoiado por Rússia, Emirados Árabes Unidos e Egito.

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