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Estado de Minas

Virologista renomado é vítima de ataques e ameaças na Alemanha


postado em 29/05/2020 15:55

O virologista de Berlim, Christian Drosten, um dos especialistas da COVID-19 eminentes no mundo, tornou-se o bode expiatório do movimento de conspiração e dos opositores às restrições na Alemanha, a ponto de receber ameaças de morte.

Anexado a um poste de luz no centro de Munique, um adesivo chama a atenção. Nele aparece Drosten ao lado de Josef Mengele, o médico nazista de Auschwitz apelidado de "anjo da morte" pelos seus experimentos com os deportados. "Confie em mim, eu sou médico", diz o adesivo.

Em poucas semanas, o diretor do Instituto de Virologia do Hospital de Caridade de Berlim tornou-se o alvo favorito daqueles que são contra as restrições impostas pela pandemia, um movimento que surgiu em abril e que organiza manifestações semanais por todo o país.

Seu nome costuma aparecer nos protestos junto ao da chanceler Angela Merkel, ou ao do ministro da Saúde, Jens Spahn, cuja renúncia é reivindicada pelos manifestantes, um grupo heterogêneo de conspiradores, extremistas de direita e alemães preocupados com os limites impostos às liberdades individuais para conter as infecções.

O especialista, na casa dos 40 anos e com o cabelo quase sempre despenteado, está no centro das atenções desde janeiro, quando projetou o primeiro teste de diagnóstico simples para a COVID-19, disponibilizado em todo o mundo.

Rapidamente, tornou-se uma das vozes mais respeitadas do país sobre o assunto. Merkel, que também é cientista, solicitou seus serviços quando teve que decidir se deveria ou não impor as medidas de confinamento.

No entanto, no final de abril, Drosten revelou ao jornal britânico The Guardian que havia sido alvo de ameaças de morte. Na terça-feira, anunciou que havia recebido um pacote com uma amostra, supostamente positiva para a COVID-19, com a mensagem: "Beba e será imunizado".

Tudo começou quando Drosten tuitou na segunda-feira um e-mail do jornal alemão Bild, que lhe dava o prazo de uma hora para reagir às críticas que alguns cientistas fizeram sobre um de seus estudos, que conclui que crianças infectadas pelo novo coronavírus "podem ser tão contagiosas" quanto os adultos.

O médico disse que tinha "coisas melhores para fazer" do que responder ao jornal.

Este confronto com o jornal, um dos mais poderosos da Alemanha - apesar de sua reputação incendiária e de uma queda recente no número de leitores - provocou uma avalanche de reações nas redes sociais e nos meios de comunicação.

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