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Estado de Minas

Investigação judicial sobre gestão da pandemia causa tempestade política na Espanha


postado em 26/05/2020 16:19

O governo espanhol defendeu nesta terça-feira a manifestação feminista realizada em 8 de março em Madri, durante a expansão da epidemia do novo coronavírus, após um relatório da Guarda Civil criticando a autorização da mesma.

A polêmica colocou no olho do furacão o ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, que demitiu o supervisor do relatório. O Partido Popular (PP), da oposição conservadora, pediu a demissão do ministro.

A polêmica tem origem na investigação aberta por um tribunal de instrução de Madri devido a uma denúncia feita por um indivíduo envolvendo a gestão da pandemia, que causou mais de 27 mil mortes na Espanha, um dos países mais atingidos.

O tribunal convocou a depor em 5 de junho o delegado do governo espanhol na região de Madri, o socialista José Manuel Franco, suspeito de prevaricação, após um relatório apresentado à juiza de instrução pela Guarda Civil, que critica a equipe de Franco.

O documento, ao qual a AFP teve acesso, afirma que a delegação do governo "tinha conhecimento do perigo representado" por uma manifestação antes de 14 de março, quando o Executivo espanhol determinou o confinamento da população para conter a pandemia.

O relatório também critica o chefe do centro de emergências sanitárias, Fernando Simón, por não desaconselhar a manifestação, e sim advertir, em reunião privada com um representante da comunidade evangélica espanhola em 6 de março, que, "sob nenhuma hipótese", poderia ser realizado um congresso previsto mais para a frente, com a participação de fiéis de vários países.

Ainda assim, foi realizada uma grande manifestação em 8 de março na capital espanhola, por ocasião do Dia Internacional da Mulher, da qual participaram membros do Executivo de Pedro Sánchez, que tem no feminismo uma de suas principais bandeiras. Três ministras adoeceram após o evento.

Simón argumentou que o aumento do número de casos de Covid-19 observado em 9 de março "não é atribuível ao fim de semana anterior", e sim ao fim de fevereiro, ao se levar em conta o período de incubação da doença.

- Ministro se defende -

O ministro Grande-Marlaska demitiu ontem o chefe do comando da Guarda Civil em Madri, coronel Diego Pérez de los Cobos. "O poder Executivo não pode pressionar desta maneira", disse à AFP José Cobo, da Associação Espanhola de Guardas Civis (AEGC), que suspeita de que o ministro teve conhecimento do relatório.

"Um membro do governo não pode perguntar à Guarda Civil ou a um juiz como andam as investigações", insistiu o representante, assinalando que, em suas diligências, o instituto armado "depende dos juízes".

Em entrevista coletiva, Grande-Marlaska, ex-juiz antiterrorismo, afirmou que a demissão de Pérez de los Cobos faz parte de uma renovação prevista e que não teve acesso ao relatório que a Guarda Civil enviou à juíza.


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