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Estado de Minas

Governo afegão se diz preparado para negociar acordo de paz com o Talibã


postado em 24/05/2020 12:55

O presidente afegão Ashraf Ghani prometeu, neste domingo (24), acelerar a libertação de prisioneiros do Talibã e disse que está preparado para iniciar negociações de paz com os insurgentes, depois de aceitar sua oferta de três dias de cessar-fogo para o feriado muçulmano do Eid al-Fitr.

Em um "gesto de boa vontade", Ghani decidiu dar início à libertação de 2.000 prisioneiros do Talibã, anunciou seu porta-voz, Sediq Sediqqi, no Twitter.

Essa decisão repentina ocorre após meses de violência que pareciam ter destruído o processo de paz.

"Como governo responsável, damos um passo adiante, anunciando que aceleraremos a libertação de prisioneiros do Talibã", declarou Ghani em um discurso à nação para a celebração do Eid al-Fitr, que marca o fim do mês do jejum muçulmano do Ramadã.

O presidente instou os insurgentes a continuarem a libertar os membros das forças de segurança afegãs em sua posse.

As trocas de prisioneiros estão previstas no acordo assinado em 29 de fevereiro em Doha, entre Washington e o Talibã, mas que Cabul não ratificou.

Esse vasto intercâmbio, de até 5.000 talibãs contra 1.000 soldados das forças afegãs, deveria ter terminado em 10 de março, mas muitos obstáculos interferiram.

Cabul libertou mil detidos e os insurgentes cerca de 300.

"O presidente Ghani lançou hoje um procedimento para a libertação de até 2.000 prisioneiros do Talibã, em um gesto de boa vontade em resposta ao anúncio de um cessar-fogo durante o Eid", disse Sediqqi.

O acordo entre EUA e Talibã também prevê a retirada de forças estrangeiras do Afeganistão em 14 meses, desde que os insurgentes cumpram com compromissos de segurança e conduzam negociações sobre o futuro do país com o governo.

O Talibã, que deixou de combater as forças estrangeiras, multiplicou recentemence seus ataques mortais contra as forças afegãs. Mas surpreendeu no sábado à noite ao decretar um cessar-fogo unilateral para que a população "possa comemorar em paz e tranquilidade" o Eid al-Fitr.

O comando insurgente ordenou que seus combatentes "tomassem medidas especiais para a segurança de seus compatriotas e não lançassem ofensivas contra o inimigo", a menos que sejam atacados.

- 'Fim da carnificina' -

No início deste domingo, em uma mesquita de Cabul, os vizinhos expressaram sua satisfação pelo anúncio do Talibã.

"Estou feliz (...) desde que nasci, só conheço a guerra", disse Nasimi Abidulá, de 18 anos, funcionária de um salão de beleza.

"Mas não é o suficiente. Queremos um cessar-fogo e o fim da carnificina para alcançar uma paz duradoura", acrescentou à AFP.

Desde que uma coalizão internacional liderada pelos EUA os expulsou do poder em 2001, é a primeira vez que o Talibã propõe abandonar temporariamente suas armas.

Houve apenas um cessar-fogo, proposto por Ghani, no Eid al-Fitr de 2018.

O próximo estágio seria as negociações "inter-afegãs" sobre o futuro do país; com dois meses de atraso.

"Agora, queremos que as negociações diretas com o Talibã para deter o massacre de afegãos, estamos absolutamente preparados para essas negociações", disse Ghani neste domingo.

Abdullah Abdullah, durante anos seu rival político, liderará essas negociações de paz, de acordo com o acordo de compartilhamento de poder assinado entre os dois em 17 de maio, para encerrar meses de crise.

Dias antes do anúncio da trégua, o líder talibã confirmou seu compromisso de respeitar o acordo com Washington.

Zalmay Khalilzad, emissário americano, acolheu o cessar-fogo, destacando-o como "uma oportunidade a não perder".


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