Publicidade

Estado de Minas

Locais estratégicos na Rússia e no Cazaquistão são foco da COVID-19


postado em 22/05/2020 12:55

A Rússia e o Cazaquistão, grandes exportadores mundiais de matérias-primas, viram como vários centros industriais estratégicos se tornaram focos de infecções pelo novo coronavírus.

Nesses lugares frequentemente isolados, às vezes acessíveis apenas por via aérea, os trabalhadores se alimentam e vivem coletivamente durante suas escalas de várias semanas, antes de retornarem para suas cidades.

Essa configuração dificulta a interrupção da transmissão do vírus e pode transformar esses centros em fontes de contágio para o resto do país.

- O estaleiro Belokamenka (Novatek

Dois dos locais contaminados pertencem à número 2 do gás russo, Novatek. Em Belokamenka, na região ártica de Murinsk, mais de 10.000 pessoas trabalham no estaleiro do grupo privado.

Segundo as autoridades, 2.255 casos de COVID-19 foram detectados, em comparação com 526 no restante da região. Dos sete mortos, pelo menos uma mulher trabalhava nas instalações.

Um navio de cruzeiro de 2.500 lugares, batizado de "Princesa Anastasia", foi enviado ao local para isolar os trabalhadores, e um hospital móvel foi instalado lá.

No entanto, as obras continuam no local, vinculado ao projeto de gás Arctic LNG 2, do qual a empresa francesa Total também participa.

- Gás natural liquefeito em Sabetta (Novatek)

Em Iamalie, na Sibéria, 1.302 dos 1.902 casos registrados correspondem a pessoas infectadas nos diversos locais de extração de hidrocarbonetos da região, segundo as autoridades.

O principal é a Yamal LNG, a gigante fábrica de gás natural liquefeito (GNL) da Novatek em Sabetta, que emprega cerca de 30.000 pessoas.

No final de abril, o aeroporto no local - o único meio de acesso - foi fechado pelas autoridades para impedir a propagação para outros locais.

Em um hospital para doenças infecciosas em Novy Urengoi, as autoridades dizem que 70% dos leitos estão ocupados por trabalhadores nos campos de gás da região, incluindo um enorme campo administrado pela Gazprom.

- Gás de Chaianda (Gazprom)

No campo de gás de Chaianda, em Yakutia, operado pela gigante nacional Gazprom, cerca de 10.000 pessoas foram submetidas a testes de diagnóstico. Pelo menos um terço está infectado com o coronavírus, disseram autoridades no início de maio.

O Ministério de Emergências enviou um hospital móvel para o local, após vários protestos de funcionários contra as condições sanitárias e de trabalho.

- Mina de ouro Olimpiada (Polyus)

Situação de emergência também em uma gigante mina na Sibéria do grupo Polyus, o maior produtor de ouro da Rússia. Um dos trabalhadores que contraiu COVID-19 morreu, e quase 1.200 casos foram confirmados.

Para impedir a propagação da doença, o Exército russo interveio e anunciou na quinta-feira que havia concluído a instalação de um acampamento, onde "até 2.000" mineiros serão colocados em quarentena.

A mina de ouro da Olimpiada é uma das maiores do mundo e atualmente possui três locais de extração.

- Campo petrolífero de Tenguiz (Cazaquistão)

No Cazaquistão, quase 1.000 dos 7.234 casos registrados estão no principal campo de petróleo do país.

Para combater a epidemia, o campo de Tenguiz poderá ser fechado, alertou a agência de saúde cazaque.

Esse imenso campo de petróleo, 50% controlado pela empresa americana Chevron, representa um terço da produção anual do Cazaquistão.

Tal cenário seria uma catástrofe para a economia cazaque, altamente dependente das exportações de petróleo, e que já está sofrendo a queda do preço do barril devido à crise mundial causada pelo novo coronavírus.

Compartilhe no Facebook
*Apenas para assinantes do Estado de Minas

Publicidade