O Ministério Público da Venezuela acusou nesta segunda-feira (4) o opositor Juan Guaidó de ter contratado "mercenários" com recursos do país bloqueados pelos EUA para realizar uma invasão pelo mar que o governo Maduro conseguiu impedir no domingo.
"Mercenários contratados" fecharam "contratos" de US$ 212 milhões com dinheiro "roubado da estatal petroleira venezuelana PDVSA" e de contas do país que foram bloqueadas por outros países, comentou à imprensa o procurador-geral venezuelano, Tarek William Saab.
Saab vinculou o caso a um ex-militar americano identificado como Jordan Goudreau.
"É público e notório esse contrato. Aqui vemos as assinaturas (...) do cidadão Juan Guaidó" e "do próprio Jordan Goudreau", disse o procurador, fazendo referência a uma foto do suposto acordo, divulgada por uma jornalista venezuelana que mora em Miami, Patricia Poleo.
Saab também divulgou um vídeo de Goudreau, o fundador de uma empresa de segurança e defesa chamada Silvercorp USA, no qual o ex-oficial militar garante que uma operação contra Maduro estava em andamento.
No domingo, o governo denunciou uma tentativa de "invasão de mercenários" que deixaram a Colômbia e tentaram entrar na costa de Macuto, estado de La Guaira (norte), a cerca de 40 minutos de Caracas por terra.
Oito "terroristas" morreram, informou o número dois do Chavismo, Diosdado Cabello.
O Ministério Público abriu várias investigações contra Guaidó, reconhecido por cerca de cinquenta países como presidente interino da Venezuela, mas não emitiu um mandado de prisão.
"A Justiça chegará mais cedo ou mais tarde", afirmou Saab.
Em uma declaração de sua equipe de imprensa, Guaidó negou as acusações nesta segunda, rejeitando qualquer "envolvimento" com qualquer empresa de segurança privada.
Saab informou que existem 114 presos e 92 pessoas procuradas para serem presas por por planos contra Maduro e o governo chavista desde que houve um ataque com drones repletos de explosivos durante um ato militar em 2018.
Segundo o procurador, durante tentativa de "invasão" foram apreendidas armas da oposição roubadas da sede do Parlamento em 30 de abril do último ano, quando um grupo de soldados se revoltou, com o apoio de Guaidó.
Maduro disse nesta segunda que "o principal objetivo" da operação era matá-lo.