O governo espanhol anunciou ontem que estabelecerá horários para permitir partidas limitadas para seus cidadãos a partir de sábado, em um dia em que o país anunciou seu menor número de mortes diárias desde 20 de março. De acordo com informações do Ministério da Saúde, a Espanha registrou 268 novas mortes, elevando o total de mortes para 24.543, o quarto maior saldo do mundo, atrás dos Estados Unidos, Itália e Reino Unido.
O país permaneceu nos últimos cinco dias em torno das 300 mortes diárias, longe do pico de mortes ocorridas no início de abril, quando atingiu 950 mortes em 24 horas. Tudo isso ocorre após sete semanas de severo confinamento, durante as quais os espanhóis só podiam sair para trabalhar se não fosse possível fazer isso em casa ou para atividades básicas, como comprar comida ou remédio ou passear com o cachorro.
Essas restrições, decretadas em 14 de março, começaram a ser flexibilizadas no fim de semana passado, com a autorização de saídas para menores de 14 anos durante uma hora por dia. Comemorando que o país está "atingindo seus objetivos", o ministro da Saúde, Salvador Illa, confirmou as novas "medidas de alívio" agendadas para sábado: a possibilidade de praticar esportes individualmente ou caminhar com uma pessoa que vive na mesma residência.
Para evitar o acúmulo de pessoas que foram vistas no primeiro dia de saída das crianças, o ministério estabeleceu horários diferentes para essas saídas em municípios com mais de 5 mil habitantes. Os adultos que quiserem caminhar ou praticar esportes poderão fazê-lo das 6h às 10h e das 20h às 23h; os idosos terão horários reservados das 10h às 12h e das 19h às 20h; e crianças, das 12h às 19h. Em Barcelona, para aumentar o espaço disponível para os pedestres, decidiu-se pela reabertura de 70 parques públicos fechados desde o início do confinamento e a proibição do tráfego de carros em cerca de 40 ruas.
PREJUÍZO ECONÔMICO O governo afirma que a epidemia permanece controlada e destaca os resultados do confinamento. "Começamos em 14 de março com número de infectados de 35% (de aumento diário); hoje estamos em 0,6%", afirmou o chefe da Saúde. Segundo o ministério, os casos confirmados do novo coronavírus ultrapassam 213 mil, enquanto o número de pessoas que foram curadas da doença é superior a 112 mil.
As restrições deixaram um prejuízo econômico significativo. No primeiro trimestre, o PIB caiu 5,2% e a taxa de desemprego subiu para 14,4%. Além disso, quase 4 milhões de pessoas estão com empregos suspensos pela interrupção temporária da atividade de suas empresas. O primeiro-ministro espanhol, o socialista Pedro Sánchez, anunciou na terça-feira um plano para o "progressivo" desconfinamento da população, que será realizado em "fases" e deverá terminar no "fim de junho" se a epidemia evoluir favoravelmente. O plano prevê uma reabertura muito gradual e com capacidade limitada em setores de atividade como restaurantes ou hotéis, que criticaram fortemente a estratégia do governo.