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Estado de Minas COVID-19

Remdesivir mostra efeito "claro" contra o coronavírus, revela estudo

Pacientes com a COVID-19 tratados com o medicamento demonstraram sinais de recuperação mais rápido


postado em 30/04/2020 04:00 / atualizado em 29/04/2020 23:11

O medicamento consegue ser absorvido pelo genoma do vírus e, assim, impede que o patógeno se replique ainda mais(foto: Ulrich Perrey/AFP)
O medicamento consegue ser absorvido pelo genoma do vírus e, assim, impede que o patógeno se replique ainda mais (foto: Ulrich Perrey/AFP)


Pacientes com a COVID-19 tratados comRemdesivir se recuperaram 31% mais rapidamente do que outros que receberam um placebo, de acordo com um estudo clínico divulgado esta semana, que o consultor médico chefe da Casa Branca estimou como um efeito "claro" do medicamento no tratamento da doença. "Os dados mostram que o Remdesivir tem um efeito claro, significativo e positivo na redução do tempo de recuperação de pacientes com coronavírus”, disse Anthony Fauci, epidemologista e assessor do presidente americano Donald Trump. Isso prova "que um medicamento pode bloquear esse vírus", acrescentou Fauci, que supervisionou a pesquisa.

Fauci comparou a descoberta com o desenvolvimento dos primeiros antivirais contra o HIV no fim dos anos 1980. Comparados aos pacientes que receberam um placebo, as pessoas tratadas com Remdesivir, do laboratório de Gilead, se curaram em média em 11 dias, em vez de 15 dias, de acordo com um comunicado à imprensa dos Institutos Nacionais de Saúde (NIH, na sigla em inglês).

Em relação aos efeitos sobre a mortalidade, os resultados não são significativos, ou seja, a pequena diferença entre os dois grupos avaliados pode ser aleatória. No entanto, o grupo tratado com     Remdesivir sofreu uma mortalidade de 8%, contra 11% no grupo placebo, sugerindo que o medicamento aumentaria a chance de sobrevivência.

USO DE EMERGÊNCIA
É a primeira vez que se mostra que um medicamento funciona contra a COVID-19, que já matou mais de 220 mil pessoas em todo o mundo e paralisa a economia global. O estudo iniciado em 21 de fevereiro compreendeu 1.063 pacientes, de 47 locais nos Estados Unidos e outros 21 na Europa e Ásia. Trata-se do maior teste até o momento sobre a utilidade do Remdesivir com os resultados disponíveis.

Seu primeiro paciente foi um americano repatriado depois de ficar em quarentena a bordo do navio de cruzeiro Diamond Princess e recebeu tratamento no Centro Médico da Universidade de Nebraska. Peter Horby, um epidemiologista da Universidade de Oxford, que não participou do estudo, disse que os resultados completos ainda são desconhecidos. "Se isso for confirmado, pode ser um resultado fantástico e ótima notícia para a luta contra a COVID-19", disse Horby.

Scott Gottliebb, ex-comissionado da FDA, a agência federal de medicamentos, escreveu no Twitter que os dados são suficientes para justificar que se considere uma "autorização para uso de emergência". Essa decisão permitiria aos médicos prescrever Remdesivir fora do contexto de ensaios clínicos.

DIRETO PARA O VÍRUS

O Remdesivir, que foi testado sem sucesso contra o ebola, pertence a uma classe de medicamentos que agem diretamente no vírus, em vez de controlar a resposta autoimune anormal e muitas vezes mortal que ele gera. O medicamento consegue ser absorvido pelo genoma do vírus e, assim, impede que o patógeno se replique ainda mais. Em suas declarações à imprensa, Fauci disse que o sucesso desse teste pode abrir caminho para medicamentos mais eficazes que apliquem um princípio semelhante.

Nas últimas semanas, notícias diferentes e contraditórias sobre esse antiviral intravenoso foram divulgadas. Um resumo dos resultados publicados no site da Organização Mundial da Saúde (OMS) na semana passada mostrou que não houve resultados positivos em um estudo menor realizado na China. A revista médica britânica The Lancet publicou nesta quarta-feira o documento formal que descreve esse teste. No estudo de 237 pacientes em Wuhan, China, os médicos não encontraram efeitos positivos após a administração do medicamento em comparação com um grupo de controle de adultos, exceto os pacientes que necessitaram de ventiladores.

No entanto, o teste chinês teve que ser interrompido cedo, pois não foi possível recrutar pessoas suficientes para atingir seu objetivo inicial e, devido ao seu pequeno tamanho, muitos especialistas consideraram que esse estudo não permitia tirar conclusões confiáveis.


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